O algodão brasileiro entra em uma fase em que produzir mais já não é suficiente para garantir espaço no mercado internacional. A expansão das exportações aumenta a pressão por qualidade, rastreabilidade, eficiência e sustentabilidade, enquanto produtores também precisam lidar com problemas de clima, pragas e doenças nas lavouras.
É nesse cenário que o 15º Congresso Brasileiro do Algodão (CBA) será realizado de 22 a 24 de setembro, em Belo Horizonte (MG). O encontro deve reunir produtores, pesquisadores, consultores, técnicos e empresas para discutir questões que vão do manejo no campo às exigências dos compradores da fibra brasileira.
Entre os assuntos previstos estão fisiologia do algodoeiro, resiliência produtiva, desafios climáticos, manejo do bicudo-do-algodoeiro e de outras pragas e doenças, além de nematologia, matologia e destruição de soqueira. Agricultura digital, melhoramento vegetal e biotecnologia também entram na programação.
A agenda inclui ainda discussões sobre colheita, beneficiamento e qualidade da fibra e do caroço. A ideia é aproximar essas questões das decisões tomadas dentro das propriedades e das demandas que chegam à cadeia depois da produção.
O congresso, segundo Marcio Portocarrero, diretor executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), acompanha as transformações da cotonicultura e os temas que passam a interferir diretamente na atividade. Ele frisa que a discussão envolve desde ciência e tecnologia até sustentabilidade, qualidade, rastreabilidade e mercado.
“O CBA é um espaço que traduz a evolução da cotonicultura brasileira. Ao longo das edições, o congresso vem acompanhando as transformações do setor e trazendo para o debate temas que impactam diretamente a produção, desde ciência e tecnologia até sustentabilidade, qualidade, rastreabilidade e mercado”.
O aumento da participação brasileira no mercado mundial coloca a cotonicultura diante de uma combinação de desafios. A escala de produção precisa caminhar junto com padrões de qualidade capazes de atender diferentes mercados consumidores.
A origem do algodão e as condições em que ele foi produzido também ganham relevância. Rastreabilidade e transparência passam a fazer parte das exigências de uma cadeia que pretende ampliar sua presença internacional.
Ao mesmo tempo, questões que afetam diretamente a lavoura continuam determinantes para o resultado. Clima, ocorrência de pragas e doenças e eficiência no manejo podem comprometer produtividade e qualidade quando não são acompanhados de forma adequada.
Portocarrero avalia que o momento exige novos avanços do setor, justamente porque o Brasil conquistou uma posição de destaque no mercado mundial. “Estamos vivendo uma nova etapa da cotonicultura brasileira. O Brasil conquistou uma posição de destaque no mercado mundial e isso nos coloca diante de uma responsabilidade ainda maior: continuar avançando em produtividade, qualidade, sustentabilidade, inovação e transparência”.
Ele acrescenta que o evento busca justamente criar um ambiente para discutir esses caminhos com diferentes participantes da cadeia. “O Congresso é justamente o ambiente para essa construção coletiva, porque reúne os diferentes elos da cadeia e permite que conhecimento e experiência se transformem em decisões e soluções concretas para o campo”.
A programação científica terá 12 horas de palestras, divididas em duas plenárias. Os conteúdos foram organizados para tratar de diferentes etapas da produção e aprofundar temas que impactam o desempenho da cultura.
A fisiologia do algodoeiro e a capacidade de manter a produtividade em condições adversas estarão entre as discussões. O manejo fitossanitário também terá espaço, com abordagens sobre bicudo, fitopatologia, nematologia e matologia.
Outro eixo envolve as etapas posteriores à colheita. Beneficiamento e qualidade da fibra e do caroço entram nas discussões ao lado de temas como melhoramento vegetal e biotecnologia.
A programação terá ainda as Plenárias Conexões, que ampliam o debate para mercado, estratégia, liderança, sustentabilidade e perspectivas para a cadeia. A intenção é relacionar os avanços técnicos às mudanças que ocorrem fora da propriedade.
Agricultura digital, biotecnologia e melhoramento vegetal estão entre as ferramentas que vêm ampliando as possibilidades de manejo e produção. No congresso, esses assuntos serão discutidos junto a questões práticas enfrentadas pelos produtores.
Quatro Hubs Técnicos vão concentrar parte dos debates específicos. Workshops e minicursos também fazem parte da programação, com espaço para aprofundamento de conteúdos e troca de experiências.
A área de exposição reunirá empresas ligadas à cadeia do algodão e apresentará tecnologias, produtos e serviços utilizados na produção e no beneficiamento. O espaço deve aproximar as soluções disponíveis das demandas apresentadas pelos profissionais do setor.
Para Portocarrero, a próxima etapa da cotonicultura também depende da cooperação entre os diferentes elos da cadeia. “O algodão brasileiro tem uma história de evolução baseada em tecnologia, profissionalização e capacidade de adaptação”.
Na avaliação do diretor executivo da Abrapa, o próximo passo é manter a evolução da produção brasileira acompanhada de qualidade e responsabilidade.
Essa construção, acrescenta, depende da participação dos diferentes segmentos envolvidos na atividade. “Essa jornada exige diálogo e cooperação entre produtores, ciência, empresas e instituições, e o CBA é um dos principais espaços para essa construção”.
O 15º Congresso Brasileiro do Algodão terá como tema “Algodão brasileiro: fibra natural. Uma jornada com propósito, qualidade e transparência”. A edição será realizada no Expominas, em Belo Horizonte.
O congresso anterior ocorreu em Fortaleza e reuniu mais de 4,2 mil participantes de 20 países e 25 estados. Foram 114 palestrantes, 62 patrocinadores, 19 hubs temáticos e 288 trabalhos científicos.
Para esta edição, a expectativa informada pela organização é reunir cerca de 2.500 participantes. Produtores, pesquisadores, consultores, técnicos, empresas e outros profissionais devem participar das atividades.
A programação coloca em discussão os fatores que podem determinar a próxima etapa da cotonicultura brasileira: capacidade de produzir com eficiência, manter a qualidade da fibra, incorporar tecnologia e atender a mercados cada vez mais exigentes.
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O post Algodão brasileiro mira novos mercados e tecnologias em congresso nacional apareceu primeiro em Canal Rural Mato Grosso.
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