A retirada de pelo menos 197 toneladas de soja de caminhões que circulavam pelas BR-163 e BR-364 levou a Polícia Civil de Mato Grosso a identificar um grupo suspeito de envolvimento em quatro roubos de cargas na região de Rondonópolis. Nesta sexta-feira (7), quatro pessoas foram presas preventivamente e outros 11 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Rondonópolis e Primavera do Leste durante a Operação Entreposto.
A investigação começou a ganhar contornos mais claros quando os policiais perceberam que os crimes seguiam um padrão e que um dos supostos motoristas vítimas aparecia em mais de uma ocorrência. Ele havia registrado três roubos anteriores com características semelhantes e, durante a apuração, passou de vítima a investigado.
Segundo a Polícia Civil, a função do grupo não terminava na retirada dos grãos. A soja era transferida para outros veículos e seguia viagem acompanhada por carros menores, usados para observar a movimentação nas rodovias e possíveis fiscalizações.
A estrutura chamou a atenção dos investigadores principalmente pela tentativa de inserir novamente no mercado uma carga que havia sido roubada. Uma empresa de armazenagem e transporte de grãos ligada a um dos suspeitos teria emitido documentos usados para dar aparência regular à mercadoria.
“Essa associação criminosa tinha toda uma logística para, posteriormente, dar aparência de legalidade à carga, emitindo notas falsas para que ela pudesse ser transportada para outra região”, afirma a delegada Ana Paula Marien, da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Rondonópolis.
A participação do motorista foi descoberta durante o cruzamento das informações das ocorrências. A repetição das circunstâncias em que ele aparecia como vítima fez com que os investigadores aprofundassem a apuração sobre os relatos.
A partir desse trabalho, a polícia concluiu que ele não estaria apenas fornecendo informações sobre os crimes, mas participando das ações. Por isso, também foi alvo de prisão preventiva nesta sexta-feira.
Os outros três investigados teriam papéis diferentes. Um deles seria responsável por conduzir a carreta depois que a carga era retirada, enquanto outro, proprietário da empresa de transporte, teria participação na logística para levar os envolvidos até os locais dos roubos.
O quarto suspeito é apontado como um dos responsáveis pela abordagem dos caminhoneiros e, conforme a investigação, portava a arma de fogo utilizada nas ações.
A emissão dos documentos fiscais é um dos pontos que devem ser aprofundados pelos investigadores. A suspeita é de que a documentação permitisse o transporte dos grãos sem levantar suspeitas sobre a origem da carga.
Durante as buscas, a Polícia Civil apreendeu celulares, documentos e equipamentos eletrônicos que poderão ajudar a reconstruir a movimentação do grupo e identificar outras pessoas envolvidas.
Também foram procurados veículos relacionados à operação, entre eles uma Toyota Hilux e um Chevrolet Onix. O material apreendido será analisado no decorrer da investigação.
A polícia ainda apura se o grupo está ligado a outros roubos de cargas e trabalha para identificar possíveis novos integrantes. “As investigações continuam de forma a aprofundar e colher mais elementos de informação, bem como identificar outros autores”, disse Ana Paula.
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