Sapezal supera Sorriso e assume liderança do agro no Brasil

Município de Mato Grosso alcançou R$ 8,6 bilhões em valor da produção agrícola em 2025; Estado concentra cinco cidades entre as dez primeiras e responde por quase 18% de toda a produção nacional

Mato Grosso mudou o endereço da cidade com a agricultura mais valiosa do Brasil, mas manteve a liderança dentro do próprio Estado. Depois de seis anos consecutivos no topo do ranking nacional, Sorriso caiu para a terceira posição e foi substituído por Sapezal, que alcançou R$ 8,6 bilhões em valor da produção agrícola em 2025.

Os dados fazem parte da Pesquisa da Produção Agrícola Municipal (PAM), divulgada nesta quinta-feira (17) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Sapezal avançou duas posições em apenas um ano. Em 2024, aparecia em terceiro lugar. No ano passado, o valor gerado pelas lavouras do município cresceu 46,6% em termos nominais, levando-o à liderança brasileira.

São Desidério, na Bahia, permaneceu na segunda colocação, com aproximadamente R$ 8,2 bilhões, enquanto Sorriso passou para terceiro, com R$ 8,16 bilhões.

A mudança não significa, porém, que a agricultura de Sorriso tenha encolhido na mesma proporção da queda no ranking. O valor da produção local avançou 13,8% em 2025. Uma alteração territorial ajuda a explicar a perda da liderança.

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NOVO MUNICÍPIO MUDA RANKING

A instalação de Boa Esperança do Norte, oficializada em 2025, retirou áreas agrícolas que anteriormente faziam parte de Sorriso e Nova Ubiratã.

O novo município foi constituído com território formado aproximadamente por 20% de áreas anteriormente pertencentes a Sorriso e 80% de Nova Ubiratã. A partir da emancipação, a produção dessas áreas deixou de integrar as estatísticas das cidades de origem.

Segundo o IBGE, Sorriso foi o único entre os dez maiores municípios agrícolas brasileiros a apresentar redução da área plantada em 2025: queda de 9,3%.

O impacto territorial foi ainda maior em Nova Ubiratã. O município, que ocupava a oitava colocação nacional em 2024, caiu para a 20ª posição. A área plantada diminuiu 42,9%, e o valor da produção recuou nominalmente 23%, para R$ 3,5 bilhões.

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Boa Esperança do Norte, por outro lado, já estreou no levantamento entre os gigantes da agricultura brasileira. Em seu primeiro ano nas estatísticas como município independente, registrou R$ 3 bilhões em produção agrícola, suficiente para alcançar a 25ª colocação nacional.

CINCO ENTRE OS DEZ MAIORES

Apesar das mudanças provocadas pela nova divisão territorial, Mato Grosso preservou amplo espaço no topo do ranking.

Dos dez municípios brasileiros com os maiores valores da produção agrícola em 2025, cinco são mato-grossenses. Outros três estão em Goiás e dois na Bahia.

Há ainda uma particularidade na nova líder nacional. Enquanto a soja é a cultura de maior valor em nove dos dez primeiros colocados, Sapezal tem o algodão como principal produto agrícola, seguido pela soja e pelo milho.

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A PAM calcula o valor da produção a partir da quantidade colhida de cada produto multiplicada pelo preço médio recebido pelos produtores ao longo do ano. Os valores apresentados pelo IBGE são nominais, sem correção pela inflação.

MT CHEGA A R$ 165,6 BILHÕES

A força de Mato Grosso aparece de forma ainda mais clara quando os dados são analisados por Estado.

O valor da produção agrícola mato-grossense atingiu R$ 165,6 bilhões em 2025, crescimento nominal de 37,1% sobre o ano anterior.

Sozinho, Mato Grosso respondeu por 17,9% de toda a produção agrícola brasileira em valor. O país alcançou R$ 927,2 bilhões, alta de 18,4%.

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Isso significa que, de cada R$ 100 gerados pela produção das lavouras brasileiras no ano passado, quase R$ 18 vieram de Mato Grosso.

Segundo o IBGE, o desempenho ocorreu em um ambiente de aumento da produção de grãos e de condições de mercado que sustentaram importantes culturas do Estado. O instituto destaca que as disputas tarifárias entre Estados Unidos e China estimularam a demanda chinesa pela soja brasileira e contribuíram para manter os preços internos da commodity.

No milho, o avanço da demanda doméstica também teve peso, impulsionado tanto pela fabricação de ração animal quanto pela expansão da utilização do cereal para a produção de etanol.

Com esse conjunto de fatores, Mato Grosso preservou a liderança brasileira no valor da produção agrícola. Sorriso perdeu o posto que ocupava havia seis anos, mas o primeiro lugar continuou em território mato-grossense — agora com Sapezal como a cidade de maior produção agrícola em valor do país.

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