Depois de passar todo o primeiro semestre abaixo da linha de confiança, os comerciantes de Cuiabá voltaram a demonstrar maior otimismo em relação aos negócios. Em julho, o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) avançou 4,9% e alcançou 105,4 pontos, consolidando a segunda alta consecutiva do indicador. Na comparação com julho de 2025, o índice somava 104,5 pontos, o que representa um avanço de 0,9%.
A pesquisa mede a percepção dos empresários da capital sobre o nível de investimento no curto e no médio prazo, o que permite antecipar o comportamento das vendas do comércio varejista. Para isso, o levantamento utiliza uma escala que varia de zero a 200 pontos, sendo que o índice de 100 pontos representa a linha divisória entre a percepção de insatisfação e de satisfação dos empresários do setor.
Na avaliação do Instituto de Pesquisa e Análise da Fecomércio Mato Grosso (IPF-MT), com base nos dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o avanço do indicador, tanto na comparação mensal quanto na anual, demonstra que a confiança do empresariado cuiabano vem se consolidando gradualmente, mesmo diante de um cenário econômico ainda desafiador.
O presidente da Fecomércio-MT, Sebastião Gonçalves (Tião da Zaeli), destacou os principais avanços apontados pelo levantamento, ressaltando o aquecimento das atividades comerciais em razão das datas comemorativas do segundo semestre.
“A melhora expressiva na percepção sobre as condições atuais das empresas demonstra que os comerciantes passaram a avaliar de forma mais positiva o desempenho dos próprios negócios, visto que as datas comemorativas do segundo semestre ajudam a alavancar o faturamento das empresas. Ainda observamos um cenário econômico nacional desfavorável, influenciado pela persistência de fatores negativos por parte do governo”, afirmou Sebastião Gonçalves.
Esse cenário pode ser observado no Índice de Condições Atuais do Empresário do Comércio, cuja variação positiva passou de 3,7% em junho para 10,0% em julho. Em relação às Condições Atuais da Economia Brasileira, o pessimismo continua elevado: 43,8% dos empresários consideram que as condições pioraram muito, levando o índice a 59,7 pontos, acima dos 54,7 registrados no mês anterior.
Apesar da avaliação negativa sobre a economia nacional, o ambiente interno das empresas apresenta percepção diferente. Entre os entrevistados, 44,8% afirmaram que as condições melhoraram ao menos um pouco, enquanto 23,3% disseram que melhoraram muito. Essa percepção positiva elevou o índice para 120,0 pontos, acima dos 112,3 registrados em junho.
No campo das expectativas, o índice também permaneceu em alta, passando de 120,5 pontos em junho para 124,1 pontos em julho, mantendo-se acima da linha de confiança. A perspectiva favorável também se refletiu na Expectativa de Contratação de Funcionários, com 57,3% dos empresários prevendo ampliar, ao menos um pouco, o quadro de colaboradores, resultando em um índice de 122,5 pontos.
Quanto ao Nível de Investimento da Empresa, o indicador avançou de 98,1 para 101,8 pontos, retornando ao nível de confiança, fato que não era observado desde novembro de 2025. Para o presidente da Federação, “o retorno do indicador de investimento para acima dos 100 pontos, após oito meses, sinaliza uma recuperação da disposição dos empresários em realizar aportes, refletindo maior confiança na atividade comercial”.
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