Mato Grosso deve colher uma nova safra recorde de milho em 2025/26. O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) estima uma produção de 57 milhões de toneladas, reforçando o potencial produtivo do estado. O desempenho das lavouras, entretanto, não afasta as preocupações com a rentabilidade da atividade.
A projeção, divulgada nesta segunda-feira (13), supera as 55,434 milhões de toneladas colhidas na safra 2024/25, até então a maior da série histórica, e também fica acima da estimativa divulgada em junho, quando o instituto previa uma produção de 53,349 milhões de toneladas.
Os dados foram levantados pelo Imea durante 64 dias, onde a equipe percorreu mais de 30 mil quilômetros, entre 82 municípios, realizando 833 avaliações técnicas para mapear produtividade, ocorrência de pragas, doenças e plantas daninhas nas principais regiões produtoras.
O diagnóstico confirma mais um avanço da produção estadual, mas também reforça um cenário que vem se repetindo nas últimas safras: a produtividade tem sido decisiva para amenizar os efeitos dos custos elevados e dos preços pouco atrativos recebidos pelos produtores.
O levantamento apontou produtividade média de 128,6 sacas por hectare, acima das 127,2 sacas registradas na safra passada, que até então representavam o melhor desempenho já observado pelo instituto.
O analista de Inteligência de Mercado e Clima do Imea, Henrique Eggers, explica ao Canal Rural Mato Grosso que o resultado foi construído por um conjunto de fatores identificados durante o trabalho de campo. Entre eles estão o aumento no número de espigas por hectare e a quantidade de grãos.
Esses indicadores, segundo ele, foram superiores aos registrados no último ciclo. “O ano passado era o nosso recorde, com 127,2 sacas por hectare, e neste ano atingimos 128,6 sacas por hectare, resultando em uma produção de 57 milhões de toneladas”.
Outro aspecto observado pelo levantamento foi a evolução do peso dos grãos, que cresceu 0,8% em relação à safra anterior. Para Eggers, esse avanço reforça que a agricultura mato-grossense continua ampliando sua capacidade produtiva.
O analista destaca ainda que o desempenho atual consolida uma sequência de evolução. A safra 2024/25, salienta o especialista, já havia apresentado peso superior ao ciclo 2023/24 e, neste ano, esse indicador voltou a avançar, fortalecendo o potencial produtivo das lavouras. “O peso dos grãos é um dos resultados primordiais para que tenhamos uma boa produtividade no final da safra”.
Além da produtividade, o levantamento avaliou as condições fitossanitárias das áreas visitadas. A podridão branca foi a doença mais encontrada nas lavouras, com incidência média de 2,64%. As maiores ocorrências foram registradas nas regiões Noroeste e Norte de Mato Grosso.
Mesmo com esses registros, o Imea avalia que o manejo adotado pelos produtores foi suficiente para evitar perdas expressivas de produtividade. Conforme Henrique Eggers, as ocorrências ficaram concentradas em algumas regiões e não representam um risco para o desempenho da safra estadual.
“A região Noroeste apresentou o maior índice de lavouras com espigas apresentando apodrecimento. A região Norte também teve um número elevado de áreas com esse panorama, mas, no contexto geral, não vemos um grande potencial redutor, uma vez que o manejo foi dentro do esperado para a região”.
O levantamento também analisou a presença de pragas e plantas daninhas, permitindo ao instituto traçar um panorama técnico que servirá de base para o planejamento das próximas safras.
Embora a produção caminhe para um novo recorde, o desempenho das lavouras não tem sido suficiente para garantir tranquilidade ao produtor. Nos últimos anos, a alta produtividade compensou parte das perdas provocadas pelos custos de produção elevados e pelos preços das commodities, que seguem sem reação consistente. Ainda assim, a margem da atividade permanece apertada.
“Foi ela que conseguiu recuperar parte desse movimento”, afirma o superintendente do Sistema Famato, Imea e AgriHub, Cleiton Gauer, ao lembrar que preços e custos continuam desfavoráveis. Mesmo assim, ressalta, esse desempenho “ainda é insuficiente para salvar todo esse cenário”.
A preocupação aumenta para a próxima temporada. Segundo Gauer, além dos custos elevados e dos preços pressionados, a perspectiva de um ano marcado por estresse climático amplia as incertezas sobre a produção.
Na avaliação dele, justamente o fator que sustentou a rentabilidade nos últimos anos pode estar ameaçado. “Estamos indo para um ano de estresse climático, com perspectiva de um El Niño e grande instabilidade para o que produzimos aqui no estado”, afirma.
Caso a produtividade seja afetada, o cenário tende a ficar ainda mais delicado. “Nos últimos dois anos ela foi o que salvou esse movimento. Imagine um cenário em que já temos preços e custos pressionados e uma produtividade em risco”.
Diante desse cenário, os produtores já começam a ajustar o planejamento da próxima safra. A estratégia passa por rever a composição dos custos de produção, substituir alguns insumos por alternativas mais competitivas e reduzir parte dos investimentos, buscando preservar o caixa sem comprometer o potencial das lavouras.
Conforme Cleiton Gauer, esse movimento já vem sendo observado nos últimos meses. Os produtores têm buscado alternativas para diminuir a exposição ao risco diante de um ambiente econômico cada vez mais desafiador.
“Os custos de produção continuam subindo. O produtor tem tentado alterar a composição desse custo, trocar produtos e reduzir parte dos investimentos para conseguir mitigar essa situação e diminuir o risco de exposição para a próxima temporada”.
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O post Promessa de safra histórica de milho em MT esbarra na rentabilidade e acende alerta para o próximo ciclo apareceu primeiro em Canal Rural Mato Grosso.
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