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Análises confirmam fungo em lavouras de milho e orientam manejo em Mato Grosso


Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Análises laboratoriais de amostras coletadas em lavouras de milho de Mato Grosso confirmaram a presença do fungo Stenocarpella maydis, conhecido pelos produtores como Diplodia. A identificação esclarece a origem da podridão branca observada nas espigas durante a colheita da segunda safra e direciona as próximas etapas de manejo da doença.

O resultado é fruto da investigação iniciada após produtores de diferentes regiões relatarem aumento de grãos avariados e sintomas nas espigas em uma safra marcada pelas chuvas fora de época. As amostras foram coletadas em áreas afetadas para identificar o agente responsável pelos danos observados no campo.

A confirmação permite concentrar as pesquisas nas condições que favoreceram a ocorrência da doença e nas estratégias mais adequadas para reduzir seus impactos nas próximas safras.

O pesquisador de Passo Fundo (RS), Erlei Melo Reis, especialista em doenças de plantas responsável pelas análises, afirma que todas as amostras avaliadas apresentaram o mesmo resultado. “Recebemos várias amostras de Mato Grosso e com microscópio visualizamos os esporos. Esses esporos foram medidos e confirmados através da literatura por serem relativamente pequenos e pertencerem à espécie Stenocarpella maydis, uma doença bem conhecida registrada no estado e que nós já havíamos diagnosticado também aqui na safra anterior”.

Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Confirmação esclarece origem da doença

As análises foram realizadas durante visitas técnicas a propriedades de diferentes regiões produtoras de Mato Grosso. O trabalho buscou esclarecer dúvidas surgidas durante a colheita, quando produtores passaram a relatar o aumento de espigas com sintomas de podridão e surgiram especulações sobre uma possível nova doença.

De acordo com Erlei Melo Reis, os resultados descartam essa hipótese e mostram que o fungo identificado já era conhecido pela pesquisa e havia sido registrado anteriormente no estado.

“Ficamos surpresos quando disseram que havia uma nova podridão-salmão do milho em Mato Grosso. Em todas as amostras que nós recebemos de Mato Grosso, nesta jornada, nós confirmamos que encontramos somente Stenocarpella maydis”, diz o pesquisador à reportagem do Canal Rural Mato Grosso.

A identificação, segundo o especialista, permite direcionar as próximas etapas dos estudos e discutir medidas de manejo baseadas em evidências técnicas, evitando decisões tomadas apenas por suposições.

Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Chuvas mudaram o cenário da safra

As chuvas fora de época alteraram o ritmo da colheita do milho segunda safra em Mato Grosso e criaram uma situação incomum para os produtores. Além de dificultarem a entrada das máquinas nas lavouras, as precipitações comprometeram o transporte da produção, aumentaram a umidade dos grãos e elevaram os índices de avarias.

O gerente de produção Edivandro Milani conta que o excesso de chuva pegou o setor de surpresa e acabou comprometendo toda a logística das propriedades, desde a colheita até o armazenamento da produção. “Ninguém esperava essa chuva nessa época, no armazém o suporte é pequeno, então precisa ir colhendo e tirando, e aí acontece muitas vezes que não tem esse fluxo, a estrada fica ruim, caminhão não vem, o processo de colheita enrola”.

Segundo Milani, o milho que permanece mais tempo no campo fica mais suscetível aos danos provocados pela umidade, refletindo diretamente na qualidade dos grãos entregues.

“Começa entrar chuva pela ponteira se ela não fecha direito e começa a acumular embaixo. Já tem danos nos primeiros plantados, tem carga que não dá nada e tem carga que sai com 5%, 8%, 10% de avariado”.

Em Diamantino, o produtor rural Flávio Kroling afirma que os relatos de municípios vizinhos mostram que os efeitos das chuvas vão além do aumento de grãos avariados e já incluem perdas provocadas pelo acamamento das plantas.

“Tenho relatos de produtores colhendo 25%, 30% de grãos avariados. Não é normal chover em junho e esse ano já foram várias chuvas agora no mês de junho. Essas chuvas, além de causar o problema dos grãos avariados, também são responsáveis pelo acamamento, ou seja, estão derrubando o milho”.

Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Manejo passa por prevenção e pesquisa

Para o agricultor Enéas Glaucio Batistela, a confirmação do fungo representa um passo importante para que os produtores tenham informações técnicas e possam tomar decisões com mais segurança nas próximas safras.

Ele defende que o diagnóstico seja baseado em análises laboratoriais, evitando conclusões precipitadas sobre a origem dos danos observados nas lavouras.

“O que tem muito por aí é achismo. Acho que é isso, acho que é aquilo, mas o produtor tem que ser cada vez mais profissional. Mandar as plantas para os laboratórios para ver o que que é realmente o problema”.

Conforme Erlei Melo Reis, a Stenocarpella maydis pode ser introduzida por sementes infectadas e também sobreviver na palhada de áreas cultivadas continuamente com milho. Por isso, práticas como a rotação de culturas e o manejo dos resíduos da lavoura são apontadas como estratégias importantes para reduzir a presença do fungo no campo.

O pesquisador explica que ainda não existem comprovações científicas de que aplicações de fungicidas durante o ciclo da cultura sejam eficazes para controlar a podridão das espigas.

“A pesquisa não tem dados que essa doença, a podridão das espigas do milho, possa ser minimizada com a aplicação de fungicidas, não temos essa informação ainda”, enfatiza.


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agro.mt

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