Representantes de diversos setores da economia brasileira estão em Washington (EUA) para tentar barrar uma proposta de tarifa de 25% sobre produtos importados do Brasil. A missão ocorre durante duas audiências públicas promovidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), entre esta segunda-feira (6) e terça-feira (7).
Em discussão estão possíveis medidas comerciais contra o Brasil no âmbito da Seção 301, um dispositivo da lei de comércio daquele país que permite ao presidente dos Estados Unidos aplicar sanções comerciais unilaterais contra qualquer país estrangeiro. Segundo a administração dos Estados Unidos, o Brasil adota práticas consideradas “irrazoáveis”, como as regras do Pix e uma suposta falta de rigor ambiental.
Em contrapartida, as autoridades brasileiras argumentam que a tarifa de 25% vai punir o próprio consumidor norte-americano. Isso porque o Brasil é um importante fornecedor de alimentos, celulose, aço e componentes industriais para os Estados Unidos. Na avaliação das entidades, encarecer os produtos brasileiros deve pressionar a inflação por lá.
Participam das audiências representantes de entidades ligadas às cadeias de arroz, café, mel, pecuária, etanol e outras áreas do setor, além de autoridades da indústria nacional e do Itamaraty.
A defesa do setor cafeeiro, um dos mais afetados pelo tarifaço norte-americano, se sustenta em duas frentes: a manutenção da isenção tarifária para o café brasileiro e a inclusão do café solúvel na lista de produtos livres das tarifas em análise. Ao contrário de outros itens do agro como carnes e frutas, que já constavam na lista preliminar de isenções proposta pelo governo Trump no início de junho, o café solúvel segue ameaçado pela sobretaxa de 25%.
Segundo Marcos Matos, diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), o Brasil é responsável por mais de 30% do café consumido nos Estados Unidos e não há substituto viável para o produto brasileiro. Ele afirma que a cadeia produtiva nacional é capaz de garantir abastecimento regular, com rastreabilidade e conformidade socioambiental.
O executivo também argumenta que os Estados Unidos têm produção limitada de café solúvel, enquanto o Brasil responde por mais de 30% das importações americanas do produto nos últimos cinco anos. Para o Cecafé, manter o café livre de tarifas e ampliar a isenção ao café solúvel evita impactos para a indústria americana e para os consumidores.
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