Programa Soja Legal promove uma produção mais sustentável e reforça confiança no agro de MT

Ao atender às demandas ligadas a sustentabilidade, os produtores não só seguem exigências globais, mas também posicionam o setor com credibilidade

O agronegócio brasileiro tem se consolidado como uma referência mundial quando o assunto é produção sustentável, especialmente em estados como Mato Grosso, onde produtividade e preservação caminham lado a lado.

Diferente de grandes concorrentes internacionais, o Brasil opera sob uma das legislações ambientais mais rigorosas do mundo e ainda consegue alcançar altos índices de eficiência no campo, demonstrando que é possível produzir mais alimentos sem ampliar áreas de cultivo.

De acordo com o vice-presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), Luiz Pedro Bier, o país possui vantagens competitivas únicas, como o clima tropical, que permite até duas safras por ano e, em áreas irrigadas, até três.

“Toda a tecnologia e técnica que foi necessária para que a gente fosse o maior produtor de soja, um dos maiores de milho, excelentes produtores de algodão, de carne de gado, ela foi desenvolvida por quem está aqui, porque não existe lugar nenhum do mundo com essa eficiência em clima tropical. Então nós temos a grande vantagem de produzir duas safras por ano”, destacou.

Ele também reforça que o Código Florestal brasileiro é um dos mais exigentes do mundo, o que coloca o país à frente em termos de sustentabilidade. Nesse cenário, Bier enfatiza que o produtor rural tem papel fundamental na preservação ambiental, inclusive dentro de áreas privadas.

“Nós temos um código florestal extremamente rígido, é o mais rigoroso que existe no mundo. A grande maioria dos países nem tem código florestal. E o Brasil é um exemplo disso. Ele tem um ativo que são as florestas que realmente são uma riqueza nacional. E nós agricultores, todo o agro brasileiro faz parte dessa paisagem, protegendo, cuidando das florestas mesmo em área privada”, afirma Bier.

Nesse contexto, iniciativas como o programa Soja Legal, da Aprosoja MT, surgem como ferramentas importantes para fortalecer ainda mais as boas práticas no campo. Segundo Luiz Pedro Bier, o programa atua diretamente nas propriedades, realizando diagnósticos e orientando os produtores sobre melhorias necessárias. A proposta é promover avanços nas áreas ambiental, social e econômica.

“O programa Soja Legal vem, neste caminho, tentando melhorar as práticas do produtor mato-grossense, fazendo diagnósticos e apontando onde são possíveis melhorias, tanto na questão trabalhista, na questão de segurança, sugestionando ao produtor o que ele pode fazer, o que ele pode melhorar e quais são as melhorias mais urgentes que precisam ser feitas na propriedade. É um programa que tem a intenção de guiar o produtor para que cada vez ele se torne mais profissional. A gente trabalha na sustentabilidade como um todo, na parte ambiental, protegendo e cuidando das nossas florestas, na parte social, cuidando dos nossos funcionários e, na parte econômica, valorizando o produto e a produção do estado”, explicou.

Na prática, produtores mato-grossenses já incorporam essas diretrizes no dia a dia. Em Lucas do Rio Verde, a produtora Denise Hasse destaca que a sustentabilidade começa com a responsabilidade sobre a própria terra. Ela afirma que adota manejo adequado de fertilizantes e defensivos, além de trabalhar com plantio direto e rotação de culturas.

“Hoje, nós só fazemos plantio direto, além de rotação de culturas. Nós atuamos com soja e milho dentro da propriedade, e o manejo é totalmente sustentável. Também temos 82% de preservação ambiental dentro dessa área. Então, o que era um solo pobre, virou um solo rico, através do manejo adequado de todos esses anos”, pontuou.

Denise também ressalta o investimento em energia solar, o respeito às Áreas de Preservação Permanente (APPs) e o cuidado com o bem-estar dos colaboradores. “Hoje, nós temos todas as APPs respeitadas, dentro de todas as normas ambientais, seguindo todos os critérios de sustentabilidade. Temos um cuidado social com todos os nossos funcionários, onde a gente leva treinamento, desenvolvimento, cuida das famílias que estão envolvidas dentro da propriedade rural. Temos energia solar que ajuda a cuidar do meio ambiente, para deixar um ambiente mais sustentável para as próximas gerações. E na lavoura a gente faz todo o treinamento para que não tenha desperdício de produtos, que os produtos sejam aplicados somente quando necessário”, comenta a produtora.

A produtora Stephane Anção, de Nova Mutum, reforça que a sustentabilidade no campo vai além da lavoura e envolve uma gestão integrada que considera aspectos ambientais, econômicos e sociais. Ela destaca que a adoção de tecnologias, como a agricultura de precisão, trouxe mais eficiência à produção, aliada a práticas como o plantio direto e a rotação de culturas, mas pondera que o conceito precisa ser mais amplo dentro das propriedades.

“Sustentabilidade não gira só em torno do campo. É uma construção que envolve o ambiental, o econômico e o social dentro da fazenda, evoluindo ano após ano. Hoje, além do manejo no campo, a gente precisa de uma gestão eficiente também no escritório, organizando recursos financeiros e documentos, porque isso traz retorno econômico e também sustentabilidade para o negócio”, explicou.

Stephane também chama atenção para iniciativas voltadas à redução da pegada de carbono e para a importância das parcerias no setor. Segundo ela, o produtor rural também exerce um papel importante para a sociedade ao participar de projetos e testes que contribuem para o desenvolvimento de práticas mais sustentáveis.

“A gente participa de projetos voltados à redução da pegada de carbono e aprende muito com essas parcerias. Isso fortalece não só a propriedade, mas todo o sistema produtivo, porque é um crescimento conjunto”, afirmou.

No campo social, a produtora destaca o investimento no desenvolvimento humano dentro das fazendas, com capacitação e valorização dos colaboradores. “Hoje as propriedades buscam cada vez mais oferecer condições dignas de trabalho e desenvolvimento. Lá na fazenda, por exemplo, trabalhamos inteligência emocional há anos, o que trouxe pertencimento e crescimento profissional para os colaboradores. Isso também é sustentabilidade”, pontuou.

Outro ponto central, segundo Stephane, é a governança e a sucessão familiar, fundamentais para garantir a continuidade da produção ao longo das gerações. “Se o agricultor focar só na terra, ele perde outras áreas importantes. A sustentabilidade também está na governança, em como passar esse bastão. Nós vivemos uma sucessão intergeracional, com diferentes idades trabalhando juntas, e isso precisa estar alinhado com valores e propósito”, disse.

Ela resume o conceito como um equilíbrio entre diferentes frentes dentro da propriedade. “Sustentabilidade é cuidar das pessoas, da terra e da parte econômica do processo. É entender que o agro não é só lavoura, mas um conjunto de responsabilidades. Quando a gente cuida disso, constrói um legado para as próximas gerações”, concluiu.

Combinando tecnologia, responsabilidade ambiental e gestão eficiente, Mato Grosso se consolida como um modelo de produção agrícola sustentável. A experiência dos produtores e o apoio de programas como o Soja Legal mostram que o agro brasileiro não apenas atende às exigências globais, mas também pode servir de referência internacional na construção de um sistema produtivo mais equilibrado e duradouro.

agro.mt

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