O potencial de produtividade (PP) na cultura de arroz é a produtividade que pode atingir uma cultivar que cresce sem limitações nem estresses bióticos (planta daninha, inseto e doença) ou abióticos (exemplo: água e nutrientes), em outras palavras, é um cenário ideal onde a taxa de crescimento da cultura é determinada pela radiação solar, temperatura, dióxido de carbono atmosférico (CO2) e as características genéticas da cultivar (Evans, 1993; Van Ittersum & Rabbinge, 1997).
Na cultura de arroz, a obtenção de altos rendimentos depende da alta disponibilidade de radiação solar, especialmente durante as fases reprodutivas e de enchimento de grão (R0 até R7 na escala fenológica de Counce). No Rio Grande do Sul (RS), o período de semeadura recomendado começa em 1° de setembro, no entanto é necessário avaliar a possibilidade da semeadura de setembro em cada região arrozeira no estado, já que existe uma grande diversidade entre as regiões produtoras em relação aos riscos de geadas, enchentes e perda do número de plantas devido à baixa temperatura do solo.
Uma análise detalhada sobre o potencial de produtividade no RS para a cultivar IRGA 424 RI segundo a época de semeadura foi realizado pela Equipe FieldCrops, os resultados indicam que existe uma redução de 30kg ha-1 dia-1 no período de 1 de setembro até 13 de novembro, 80kg ha-1 dia-1 do 14 de novembro até 21 de dezembro, após essa data a perda por atraso na época de semeadura aumenta para 290 kg ha-1 dia-1 (Figura 1).
Apesar o maior potencial produtivo se apresenta no início da janela de semeadura, existe uma maior variabilidade ao longo dos anos nas semeaduras mais no cedo isso pela possível ocorrência de geadas tardias durante o mês de setembro. Durante os meses de outubro e novembro, a variabilidade no potencial de produtividade é de 10% na média, o que reduz o risco de perdas ou estresses que possam afetar a produtividade da cultura.
COUNCE, P. A.; KEISLING, T. C.; MITCHELL, A. J. A Uniform, Objective, and Adaptive System for Expressing Rice Development. Crop Science, v. 40, n. 2, p. 436–443, mar. 2000. Disponível em: < https://acsess.onlinelibrary.wiley.com/doi/10.2135/cropsci2000.402436x >, acesso: 06/05/2026.
EVANS, L. T. Crop Evolution, Adaptation, and Yield. Cambridge University Press, Cambridge, UK. 1993
MEUS, L. D. et al. Ecofisiologia do arroz visando altas produtividades. ed. 1, Santa Maria, 2021. 312p
VAN ITTERSUM, M. K.; RABBINGE, R. Concepts in production ecology for analysis and quantification of agricultural input-output combinations. Field Crops Research, v. 52, n. 3, p. 197–208, jun. 1997. Disponível em: < https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0378429097000373 >, acesso: 04/05/26.
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