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Doença fúngica em lavouras de milho mobiliza investigação em Mato Grosso


Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Uma doença fúngica silenciosa está sendo investigada após provocar prejuízos em lavouras de milho de diferentes regiões de Mato Grosso. Os danos, que muitas vezes só são percebidos quando a espiga é aberta ou durante a colheita, acenderam o alerta entre produtores e técnicos.

Os relatos apontam perdas na produtividade e comprometimento da qualidade dos grãos, situação que também começa a refletir na comercialização do milho.

A identificação do agente causador é considerada fundamental para orientar o manejo da próxima safra e reduzir novos prejuízos aos produtores.

Enquanto o diagnóstico é aguardado, produtores contabilizam os impactos da doença e acompanham a evolução dos casos nas regiões afetadas.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Casos se espalham por diferentes regiões

O engenheiro agrônomo Vinícius Rodrigues, que acompanha cerca de 30 mil hectares de milho no médio-norte de Mato Grosso, afirma que os registros deixaram de ser pontuais e já aparecem em diferentes municípios, principalmente em regiões próximas à BR-163, no oeste e no norte do estado.

Conforme ele, além das perdas no campo, as indústrias começam a registrar descontos na recepção dos grãos. O excesso de chuvas durante o ciclo da cultura favoreceu o avanço da doença, agravando a situação nas lavouras.

Rodrigues afirma que ainda é cedo para apontar qual fungo está causando os danos, mas relata ao Canal Rural Mato Grosso que os prejuízos já são significativos. “Há produtores relatando de 30% a 45% de dano causado no milho e as indústrias reportando o problema no carregamento com descontos mais enxutos também”.

O agrônomo ressalta que o momento exige cautela e investigação técnica antes da adoção de qualquer medida de controle. “Tem que chamar um especialista que vai indicar de fato qual é a doença exata, porque a gente vê vários murmurinhos e vão criando vários rumores no mercado. Não é sair fazendo aplicação de defensivo nem nada, porque isso aí pode causar até mais resistência no fungo e a pesquisa é fundamental para isso aí”.

Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Produtores contabilizam prejuízos

Entre os produtores afetados está Cleverson Bertamoni, de São José do Rio Claro. Na propriedade, onde foram cultivados 1.550 hectares de milho segunda safra, os primeiros talhões colhidos registraram perdas superiores a 19 sacas por hectare. O prejuízo já ultrapassa os R$ 100 mil.

O produtor conta ao Canal Rural Mato Grosso que a doença passou despercebida durante o desenvolvimento da lavoura. A aparência das plantas não indicava problemas, mas, ao abrir as espigas, a contaminação aparecia de forma intensa.

“Você vai andando e vai achando, e aí é um problema sério. Eu achava uma espiga ou outra, mas não achava que o problema iria ser tão grande a nível de pegar todos os talhões da fazenda”.

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Mesmo seguindo o manejo recomendado para a cultura, Bertamoni afirma que não conseguiu evitar os danos causados pelo fungo.

“Fizemos três aplicações de fungicidas, inclusive alternando bem os princípios ativos e um com protetivo nas épocas certas recomendadas, e nos deparamos com essa situação. Tivemos um talhão de 220 hectares e perdemos mais de 10% só por causa dessa doença aqui”.

Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Diagnóstico deve orientar manejo da próxima safra

A busca por respostas levou a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja Mato Grosso) a trazer para o estado um especialista em doenças de plantas de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, que acompanha os casos registrados no estado e auxilia na identificação do agente causador da doença.

A expectativa é que o trabalho permita definir recomendações técnicas para reduzir os prejuízos observados nesta safra e orientar o manejo da cultura nos próximos ciclos.

O presidente da Aprosoja Brasil e Mato Grosso, Lucas Costa Beber, pontua que o avanço da doença também preocupa pelos impactos no cumprimento dos contratos de entrega do milho.

Segundo ele, a entidade já realiza a coleta de amostras e as análises para chegar a uma resposta técnica. “A nossa equipe já está trabalhando, coletando amostras e fazendo análises para ter uma solução definitiva na indicação também de controle dessa doença para o próximo ano para que não volte a se repetir”.

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agro.mt

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