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Soja e Derivados: Exportações Históricas e Demanda Doméstica Movimentam o Mercado em Maio – MAIS SOJA


A liquidez no mercado brasileiro de soja esteve elevada em maio, impulsionada pelo forte ritmo das exportações e pela demanda aquecida da indústria doméstica de processamento. Esse cenário limitou quedas mais expressivas nos preços da oleaginosa, mesmo diante da safra recorde colhida no Brasil e das perspectivas favoráveis para a oferta global, com o avanço da colheita na Argentina e a semeadura nos Estados Unidos.

A colheita está praticamente encerrada no Brasil, o que confirma a safra recorde no País, projetada pelo USDA em 180 milhões de toneladas. Na Argentina, a Bolsa de Cereales informou que a colheita da safra 2025/26 alcançou 97,1% da área, com produção estimada pelo USDA em 48 milhões de toneladas. Nos Estados Unidos, o USDA informou que 87% da área da safra 2026/27 havia sido semeada até 31 de maio, acima dos 80% semeados na média dos últimos cinco anos, com produção estimada em 120,7 milhões de toneladas.

Do lado da demanda, os números dos embarques seguem evidenciando a força da procura pela soja brasileira. Segundo dados da Secex, o Brasil exportou 14,82 milhões de toneladas do grão em maio. Embora o volume tenha recuado 11,5% em relação a abril, permaneceu 5,1% acima do registrado em maio de 2025. No acumulado de janeiro a maio, as exportações somaram 55,07 milhões de toneladas, configurando-se como o maior volume já registrado para esse período.

A receita gerada pelas exportações da oleaginosa alcançou US$ 22,88 bilhões nos cinco primeiros meses de 2026, ficando atrás apenas do recorde de 2023, quando somou US$ 26,54 bilhões. Naquele período, as cotações também superavam as atuais.

A firme demanda externa também elevou os prêmios de exportação da soja no Brasil, incentivando negociações para embarques entre agosto e outubro deste ano, movimento incomum para este período do ano.

Com isso, no mercado spot, os Indicadores CEPEA/ESALQ Paranaguá e Paraná tiveram médias de R$ 129,36/sc e R$ 123,03/sc de 60 kg em maio, valorizações de 1,4% e de 1,3%, respectivamente. Em relação a maio de 2025, por sua vez, as cotações apresentam quedas de 4,4% e 5,54% em termos reais (IGP-DI de abril/26).

O dólar encerrou o mês a R$ 4,99, com desvalorização de 0,9% frente a abril e de 12,1% na comparação com maio de 2025, favorecendo a competitividade das exportações norte-americanas. Na Bolsa de Chicago (CME Group), o contrato julho/26 da soja em grão registrou média de US$ 11,9434/bushel (US$ 26,33/sc de 60 kg) em maio, com valorização de 2,3% frente a abril e de 13,6% em relação a maio de 2025.

ÓLEO DE SOJA – No caso do óleo de soja, os preços nacionais e internacionais registraram direções opostas. No mercado doméstico, a demanda foi limitada pela cautela das indústrias de biodiesel.

Segundo levantamento do Cepea, os preços do óleo de soja bruto e degomado (com 12% de ICMS) na região de São Paulo recuaram 5,2% de abril para maio; por outro lado, observou-se valorização de 2,3% em um ano, em termos reais, na média de R$ 6.518,48/t em maio.

Quanto às vendas externas, de acordo com a Secex os embarques alcançaram 192,14 mil toneladas em maio. Embora tenham recuado 1,8% frente a abril, ficaram 35,7% acima dos registrados em maio de 2025. No acumulado de 2026, as exportações totalizam 890,17 mil toneladas, volume 45,2% superior ao observado no mesmo período do ano passado e o maior já registrado para os primeiros cinco meses do ano desde 2023.

No mercado externo, com a forte demanda do setor de biodiesel, os preços do óleo registraram alta significativa no mês de maio, ampliando sua participação nas margens industriais e alterando a composição da rentabilidade da indústria de processamento nos Estados Unidos. De acordo com cálculos do Cepea, há um ano o farelo respondia por 55% da margem de lucro da indústria de processamento nos EUA, enquanto o óleo representava 45%. Neste ano, porém, a participação se inverteu: o óleo passou a responder por 52,79% das margens, enquanto o farelo representou 47,21% nesse mês, evidenciando o maior peso do derivado energético na rentabilidade do processamento.

Nesse cenário, na CME Group (Bolsa de Chicago), o contrato Julho/26 do óleo de soja avançou 8% entre abril e maio, registrando média de US$ 0,7562/lp (US$ 1.667,22/t) e valorização de 54,3% em relação a maio/25, o maior patamar nominal desde julho de 2022.

FARELO DE SOJA – Embora a demanda externa pelo farelo de soja brasileiro tenha sido elevada, a maior disponibilidade do derivado, devido ao aumento no processamento interno, pressionou as cotações. Na média das regiões acompanhadas pelo Cepea, os preços do farelo de soja tiveram baixas de 1,3% de abril para maio e de 1,6% em relação a
maio/25, em termos reais.

Quanto às exportações, dados da Secex mostram que o Brasil embarcou 2,54 milhões de toneladas em maio, o maior volume para o mês desde 2023. O resultado representa aumentos de 8,6% frente a abril e de 21,09% em relação a maio do ano passado. Entre janeiro e maio, os embarques do derivado somam 10,19 milhões de toneladas, um novo recorde para o período.

No mercado externo, os preços futuros do farelo de soja foram impulsionados pela expectativa de aumento da procura internacional pelo derivado norte-americano. Diante disso, o contrato de primeiro vencimento do farelo apresentou média nominal de US$ 329,47/tonelada curta (US$ 363,17/t) em maio, altas de 1,5% sobre a de abril e de 13% frente a maio/25, sendo também a maior desde julho/24.

Fonte: CEPEA



 

agro.mt

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