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Trigo no RS: Plantio ganha ritmo com clima favorável, mas incertezas econômicas freiam produtores – MAIS SOJA


A semeadura do trigo avançou de forma significativa no Estado, favorecida pelas condições de solo e pela perspectiva de precipitação. As lavouras implantadas apresentam, em geral, germinação e desenvolvimento inicial adequados e emergência uniforme.

Apesar do progresso das operações, ainda há expectativa de redução da área cultivada em relação à safra anterior, motivada pela combinação de restrições de crédito, pelo menor nível tecnológico empregado, pelos custos de produção elevados e pelas incertezas quanto ao comportamento climático durante o ciclo. Observa-se também maior utilização de sementes salvas e menor investimento em fertilização de base, refletindo a busca por redução dos custos de implantação.

Em algumas regiões, parte das áreas inicialmente destinadas ao cereal poderá ser substituída por culturas alternativas, plantas de cobertura ou sistemas pecuários. A estimativa de área a ser cultivada na Safra 2026 está em levantamento pela Emater/RS-Ascar. Na safra anterior, o Rio Grande do Sul cultivou 1.166.163 hectares de trigo, com produtividade média de 2.968 kg/ha e produção total de 3.458.083 toneladas, conforme dados do IBGE.

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, a semeadura apresentou evolução distinta entre os municípios: em Maçambará, os trabalhos permaneceram praticamente paralisados devido à insuficiência de umidade no solo, alcançando pouco mais de 40% do previsto. As primeiras lavouras implantadas apresentam bom estande de plantas, e seguem as aplicações para manejo de plantas daninhas em pré-plantio e pós-emergência.

Em Itacurubi, 30% dos 1.500 hectares estimados foram semeados, favorecidos pelas precipitações, registradas no final de maio. Observa-se redução do interesse pela cultura, e
parte dos produtores está direcionando áreas para pastagens destinadas à pecuária de corte ou arrendamento.

Na de Caxias do Sul, a semeadura iniciou de forma incipiente nos municípios de menor altitude. Nos Campos de Cima da Serra, onde se concentra aproximadamente 90% da área do cereal, os trabalhos ainda não começaram em razão do calendário de implantação mais tardio.

Na de Frederico Westphalen, a semeadura alcança cerca de 80% da área prevista para a safra. As lavouras apresentam estabelecimento inicial e desenvolvimento vegetativo adequados. As condições de umidade do solo e temperatura estão favoráveis ao crescimento das plantas, permitindo o avanço da implantação dentro da janela recomendada.

Na de Ijuí, houve intensificação da semeadura, favorecida pelas condições de solo relativamente seco e pelos prognósticos de precipitações. As primeiras lavouras estão em emergência, em desenvolvimento das primeiras folhas e início de perfilhamento.

Prosseguiram os trabalhos de dessecação e preparação das áreas. Persistem os indicativos de redução de área próximo de 20%, associada à menor disponibilidade de crédito e investimento tecnológico. Também é observada maior utilização de sementes salvas e expansão de contratos voltados à produção de trigo para etanol.

Na de Passo Fundo, a implantação atinge aproximadamente 70% da área prevista. As lavouras estão em germinação e desenvolvimento vegetativo inicial, apresentando evolução
satisfatória sob condições climáticas favoráveis. Na de Santa Maria, a estimativa inicial de cultivo é de redução de até 36% em relação à safra anterior. Em Tupanciretã, principal município produtor da região, já foram implantados cerca de 40% dos 10.900 hectares projetados.

Na de Santa Rosa, a semeadura atingiu aproximadamente 40% da área projetada. As condições de umidade do solo e a boa insolação favoreceram o desenvolvimento das lavouras implantadas, que apresentam incremento foliar e melhora no aspecto visual. A expectativa é de redução da área cultivada em relação à safra passada. Muitos produtores optaram por uso de sementes salvas, baixo aporte de fertilizantes e redução dos investimentos, visando minimizar riscos econômicos.

Em algumas áreas, foi constatada infestação de corós, exigindo intervenções para controle. Há relatos de que parte das lavouras poderá ser destinada à cobertura do solo, caso as condições futuras sejam desfavoráveis à produção de grãos. Na de Soledade, a área projetada para a safra poderá apresentar redução significativa em relação ao ciclo anterior. A semeadura alcança cerca de 20% da área prevista, beneficiada pelas condições climáticas favoráveis. As lavouras apresentam germinação e desenvolvimento inicial adequados e emergência uniforme.

Comercialização (saca de 60 quilos)

O valor médio, de acordo com o levantamento semanal de preços da Emater/RS-Ascar no Estado, aumentou 2,11%, passando de R$ 65,50 para R$ 66,88.

Fonte: Emater/RS



 

agro.mt

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