Apesar dos recentes anúncios envolvendo uma possível ampliação das compras chinesas de soja dos Estados Unidos, o Brasil segue ocupando uma posição estratégica no abastecimento do mercado chinês. No entanto, especialistas alertam que o setor não deve encarar essa liderança como algo permanente ou garantido.
Em entrevista ao Soja Brasil, o economista Felippe Serigati, da FGV Agro, analisou os desdobramentos das negociações entre Estados Unidos e China e os possíveis impactos para o agronegócio brasileiro. ”Durante um encontro entre o presidente norte-americano Donald Trump e o presidente chinês Xi Jinping, foi anunciada a intenção de elevar as compras chinesas de soja americana para 25 milhões de toneladas”, explica.
Na avaliação de Serigati, embora o número represente um aumento em relação ao volume adquirido no último ano, não configura uma mudança expressiva quando comparado ao histórico das importações chinesas. “No entanto, se olharmos para os anos anteriores, a China já comprava dos Estados Unidos algo em torno de 25 milhões de toneladas por ano, às vezes um pouco menos, às vezes um pouco mais”, explica.
O economista lembra ainda que, antes do início da guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo, os chineses chegaram a importar mais de 35 milhões de toneladas de soja norte-americana. Por isso, ele avalia que o anúncio teve mais relevância política do que impacto efetivo no mercado.
“Provavelmente foi uma sinalização para que Trump pudesse apresentar algum resultado ao seu público, mas sem representar uma alteração nos fluxos globais de comércio da soja”, pontua.
Apesar disso, Serigati ressalta que o Brasil deve permanecer atento aos movimentos entre Washington e Pequim. Segundo ele, o país não pode considerar definitiva sua posição de principal fornecedor da China.
“Não podemos partir do princípio de que somos um fornecedor preferencial garantido. Se há insegurança em relação ao fornecedor norte-americano, porque Pequim aumentaria suas compras? Ainda assim, precisamos acompanhar de perto a relação entre China e Estados Unidos, porque ela pode gerar efeitos tanto positivos quanto negativos para o agro brasileiro”, destaca.
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