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Querência: A cidade que nasceu no meio do Cerrado e virou símbolo da nova geração do agronegócio brasileiro


Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Com pouco mais de 31 mil habitantes, Querência se consolidou como um dos principais polos do agronegócio no Vale do Araguaia. O município combina produção agrícola diversificada, planejamento urbano e crescimento econômico em uma região cercada por áreas de preservação ambiental.

Localizada próxima ao Parque Nacional do Xingu, a cidade tem no agro a principal força da economia. Milho, soja, algodão e pecuária movimentam a produção local e ajudam a atrair empresas, investimentos e novos moradores.

O crescimento também aparece nos indicadores populacionais. Conforme o prefeito Gilmar Reinoldo Wentz, Querência foi o município que mais cresceu na região do Araguaia no último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo ele, a expansão abre espaço para novos negócios e para o avanço da industrialização. “Nós temos produção, clima favorável, potencial hídrico e espaço para avançar na industrialização. A chegada de novas empresas fortalece ainda mais a economia do município”.

A Abertura Nacional da Colheita de Milho Segunda Safra acontece no dia 3 de junho na Estância VN, em Querência. Em um formato inédito, o início dos trabalhos das máquinas no campo ocorrerá sob a luz do pôr do sol. Com o tema central “Milho: Inovação e Resiliência – Cultivando o Futuro em Tempos de Desafio”, o encontro vai reunir lideranças e especialistas para debater os rumos, a comercialização e as tecnologias da safrinha.

O evento integra o projeto Mais Milho realizado pelo Canal Rural Mato Grosso, afiliado do Canal Rural, em parceria com a Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho) e Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja Mato Grosso).

A abertura da colheita terá transmissão ao vivo pelo Canal Rural começa às 16h30 (horário de Brasília). Para assistir no YouTube clique aqui.

Produção e diversificação

A força econômica de Querência está diretamente ligada ao campo. Além da soja e do milho, produtores investem em algodão, gergelim, feijão-caupi e outras culturas, ampliando as oportunidades de renda e reduzindo riscos produtivos.

Para o presidente do Sindicato Rural, Osmar Frizzo, a combinação entre clima favorável e investimento em tecnologia ajuda a explicar o desempenho da região.

“O diferencial de Querência está na regularidade do clima e no produtor rural, que investe em tecnologia e diversificação”, diz ao Projeto Mais Milho.

A vocação produtiva, no entanto, começou décadas antes dos atuais índices de crescimento. A história do município está ligada à chegada de famílias do Sul do país atraídas por um projeto de colonização desenvolvido pela Cooperativa Mista de Canarana (Copercana).

Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

O sonho que virou cidade

Quando os primeiros moradores chegaram ao Vale do Araguaia, a realidade era muito diferente da atual. Havia pouca infraestrutura, estradas precárias e muitas incertezas. Ainda assim, centenas de famílias apostaram no potencial da região.

O produtor rural Darci Tosatti faz parte dessa geração. Ele lembra que a possibilidade de adquirir terras em Mato Grosso motivou muitas famílias a deixarem suas cidades de origem. “Existia a oportunidade de adquirir terras em Mato Grosso e começar uma nova vida. Muitas famílias vieram acreditando nesse projeto”.

Os desafios aumentaram quando a Copercana encerrou suas atividades. Sem o suporte da cooperativa, a própria comunidade precisou se organizar para garantir o futuro da localidade.

Darci participou desse processo e recorda que os moradores criaram uma comissão de emancipação, iniciativa que contribuiu para a criação do município. Para ele, o maior legado daquela geração foi construir uma cidade pensando nas próximas gerações. “Conseguimos fazer com que essa história e esse legado servissem para os que vieram depois”.

Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Histórias de persistência

As dificuldades enfrentadas pelos pioneiros aparecem nas histórias de quem ajudou a construir Querência.

O empresário Wilson Delmir Fucks chegou à região apostando no setor madeireiro, mas precisou recomeçar quando o negócio não prosperou. Trabalhou como empregado, buscou alternativas e, anos depois, abriu uma imobiliária.

O início foi simples, conforme ele. Sem carro para trabalhar, utilizou a bicicleta do filho para atender clientes. “A coisa era tão difícil que a gente não tinha um automóvel. Para começar a carreira de corretor eu tomei emprestado a bicicleta do meu filho”, relata à reportagem do Canal Rural Mato Grosso.

Paulo Antônio Hippler também pensou em desistir. O empresário chegou para conhecer a região e acabou ficando. Nos primeiros anos, enfrentou a falta de estrutura básica e passou longos períodos sem clientes no hotel e restaurante que começava a construir. “Esperava vir cliente… Teve época de passar quinze dias sem ninguém dormir aqui”, lembra. Apesar das dificuldades, permaneceu e acompanhou a transformação da cidade ao longo das décadas.

Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

O legado dos pioneiros

O agricultor Nelson Jantsch chegou em busca das terras vermelhas que procurava para produzir. As condições eram difíceis, com estradas ruins e longos deslocamentos entre a cidade e a propriedade. Enquanto ele trabalhava na fazenda, a esposa ajudava a complementar a renda da família vendendo leite e criando animais em uma chácara próxima à cidade.

Na época, recorda Nelson, o objetivo era apenas manter a família e crescer aos poucos. A dimensão que Querência alcançaria estava longe da imaginação dos moradores. “Lá atrás a gente não sabia que iria dar essa evolução”.

Décadas depois, Nelson se diz realizado por ter participado da construção do município. O sentimento é compartilhado por muitos pioneiros que ajudaram a transformar uma região isolada em uma das mais importantes fronteiras agrícolas do país.

Segundo Osmar Frizzo, o espírito de acolhimento e trabalho continua presente na cidade. “Até hoje essa Querência tem esse espírito guerreiro, esse espírito muito hospitaleiro”.

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