O governo dos Estados Unidos incluiu a Moratória da Soja entre os argumentos utilizados para questionar a eficácia das políticas brasileiras de combate ao desmatamento. A referência consta no relatório da investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), divulgado nesta terça-feira (2).
Segundo o documento, medidas adotadas em estados brasileiros, especialmente em Mato Grosso, estariam reduzindo incentivos para empresas que participam de acordos voluntários voltados à preservação ambiental. Para o USTR, esse movimento já estaria provocando a saída de grandes companhias da Moratória da Soja, enfraquecendo o alcance da iniciativa.
Criada em 2006, a Moratória da Soja é um acordo firmado entre tradings, organizações da sociedade civil e órgãos governamentais que impede a compra e o financiamento de soja produzida em áreas da Amazônia desmatadas após julho de 2008.
Nos últimos anos, o pacto passou a enfrentar questionamentos de produtores rurais e governos estaduais, que argumentam que suas exigências são mais rigorosas que as previstas no Código Florestal. Em janeiro deste ano, a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída do acordo.
Além da questão envolvendo a moratória, o relatório americano afirma que o Brasil ainda enfrenta dificuldades para aplicar de forma efetiva sua legislação ambiental. O documento aponta que o desmatamento ilegal continua presente nos biomas Amazônia e Cerrado e cita fragilidades em mecanismos de controle, como o Cadastro Ambiental Rural (CAR).
O USTR também relaciona o avanço do desmatamento à expansão de atividades agropecuárias e afirma que a conversão de áreas florestais para produção agrícola responde pela maior parte da perda de vegetação registrada nas últimas décadas.
As críticas fazem parte da investigação comercial aberta pelos Estados Unidos contra o Brasil em 2025. Como resultado preliminar, o governo americano propôs a aplicação de uma tarifa de 25% sobre parte dos produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano.
Em resposta, o governo brasileiro sustenta que os índices de desmatamento vêm registrando queda nos últimos anos e reforça a meta de zerar o desmatamento até 2030.
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