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Pulgões em trigo o os impactos dos seus danos indiretos à cultura – MAIS SOJA


Integrando o grupo das principais pragas do trigo, os pulgões são frequentes nas áreas de cultivo desse cereal. Embora possam causar danos diretos por meio da sucção de seiva, o maior impacto econômico dessas pragas está associado aos danos indiretos, especialmente pela transmissão do vírus do nanismo amarelo da cevada (Barley/Cereal yellow dwarf virus – BYDV/CYDV).

Entre as espécies de maior importância econômica destacam-se o pulgão-verde-dos-cereais (Schizaphis graminum), o pulgão-do-colmo (Rhopalosiphum padi), o pulgão-da-folha (Metopolophium dirhodum), o pulgão-da-espiga (Sitobion avenae) e o pulgão-amarelo-da-cana-de-açúcar (Sipha flava), este último menos frequente na cultura do trigo. Os danos variam conforme a suscetibilidade da cultivar e o momento da infecção viral.

De modo geral, quanto mais precoce ocorre a infecção pelo vírus do nanismo amarelo da cevada, maiores são as perdas de produtividade. Para cultivares de trigo adaptadas às condições brasileiras, perdas médias de até 40% na produtividade de grãos podem ocorrer quando a infecção acontece no início do ciclo da cultura (Salvadori et al., 2022).

Segundo Salvadori et al.  (2022), os danos diretos decorrentes da alimentação dos pulgões normalmente variam entre 5% e 10%, sobretudo em situações de alta infestação e condições ambientais favoráveis ao desenvolvimento da praga. Entretanto, os maiores prejuízos à produtividade do trigo estão relacionados à transmissão do vírus do nanismo amarelo da cevada (Figura 1).

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Figura 1. Danos diretos e indiretos causados por afídeos: necrose em sítio de alimentação de Schizaphis graminum (A); clorose e necrose no sítio de alimentação de Sipha flava (B). Danos indiretos devido à transmissão de Barley yellow dwarf virus (BYDV): sintoma de amarelecimento em folha bandeira (C); visão geral dos sintomas, planta sadia (à esquerda) e planta infectada (à direita) (D); grãos em planta sadia (E) e grãos menores, mal formados e encarquilhados, de planta infectada por BYDV (F).
Fonte: Salvadori et al. (2022)

Os principais sintomas do vírus do nanismo amarelo da cevada incluem amarelecimento das folhas, podendo ocorrer avermelhamento ou coloração púrpura, além de enrijecimento e deformações foliares. A infecção também compromete o funcionamento do floema, reduzindo o desenvolvimento radicular, encurtando os entrenós e ocasionando diminuição da estatura e atraso no ciclo das plantas. Em situações severas, observam-se espigas menores, esterilidade, redução no número de grãos, formação de grãos malformados e ocorrência de espigas melanizadas, conhecidas como “espigas chocolate” (Salvadori et al., 2022).



Considerando a elevada importância dos danos indiretos causados pelos pulgões, especialmente pela transmissão viral, e a maior suscetibilidade do trigo nas fases iniciais de desenvolvimento, torna-se fundamental o manejo dessas pragas desde o início do ciclo da cultura, principalmente em condições climáticas favoráveis ao seu desenvolvimento, como temperaturas entre 15 °C e 25 °C.

Além disso, em razão da ocorrência de diferentes espécies de pulgões e de suas distintas preferências alimentares, essas pragas podem causar prejuízos em praticamente todos os estádios de desenvolvimento do trigo (Figura 2). Dessa forma, é indispensável adotar estratégias de manejo que permitam o controle eficiente dos pulgões antes que suas populações atinjam níveis capazes de comprometer significativamente a produtividade e a qualidade dos grãos.

Figura 2. Período de ocorrência e nível de controle de pulgões, lagartas e corós no trigo.
Adaptado: Pereira; Salvadori; Lau (2010). Imagem adaptada com o uso de Inteligência Artificial.

Considerando que os pulgões são os únicos vetores do vírus do nanismo amarelo da cevada, o manejo eficiente dessas pragas constitui uma importante medida para reduzir as perdas de produtividade do trigo associadas aos danos indiretos causados pela doença. Entre as medidas de manejo mais eficazes destacam-se o ajuste da época de semeadura, a utilização de cultivares tolerantes ao vírus, o tratamento de sementes com inseticidas e o controle químico via pulverização.

De acordo com Cunha & Cairão (2023), recomenda-se a adoção do controle químico quando forem observadas 10% de plantas infestadas entre os estádios de emergência e emborrachamento, ou média de 10 pulgões por espiga entre as fases de espigamento e grão em massa. Dessa forma, o monitoramento constante das lavouras torna-se fundamental para a tomada de decisão no momento adequado, permitindo reduzir os prejuízos causados tanto pela alimentação dos pulgões quanto pela transmissão do vírus do nanismo amarelo da cevada.

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Referências:

CUNHA, G. R.; CAIRÃO, E. INFORMAÇÕES TÉCNICAS PARA TRIGO E TRITICALE: SAFRA 2023. Embrapa, 2023. Disponível em: < https://www.conferencebr.com/conteudo/arquivo/informacoestecnicastrigotriticalesafra2023-1683736866.pdf >, acesso em: 27/05/2026.

PEREIRA, P. R. V. S; SALVADORI, J. R.; LAU, D. TRIGO: MANEJO INTEGRADO DE PRAGAS. Embrapa Trigo, Senar – PR, 2010. Disponível em: < https://www.embrapa.br/busca-de-publicacoes/-/publicacao/887068/trigo-manejo-integrado-de-pragas >, acesso em: 27/05/2026.

SALVADORI, J. R. et al. PRAGAS DA CULTURA DO TRIGO. Embrapa Trigo, Documentos, n. 200, 2022. Disponível em: < https://www.embrapa.br/en/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1148374/pragas-da-cultura-do-trigo >, acesso em: 27/05/2026.

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