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Ração com soja contaminada: MP processa Nutratta pela morte de 238 cavalos


Foto: Pixabay

O Ministério Público e a Promotoria de Justiça do Consumidor ajuizaram uma ação civil pública na última sexta-feira (22) que visa a responsabilizar a fábrica de nutrição animal Nutratta e o proprietário da empresa pela morte de dezenas de cavalos e o adoecimento de centenas de equídeos em um haras de Indaiatuba, no interior de São Paulo, além de estabelecimentos situados em outras cidades do país.

Entre os pedidos feitos à Justiça estão o bloqueio de ativos dos réus, a proibição de retomada das atividades da empresa antes do cumprimento de exigências do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a realização de recall dos produtos contaminados, a indenização dos consumidores prejudicados e o pagamento de R$ 10 milhões por danos morais coletivos.

Segundo as investigações, a empresa usou resíduos de soja contaminados com alcaloides pirrolizidínicos na fabricação de rações para equinos, bovinos, suínos e aves. Laudos laboratoriais e necropsias apontaram que as substâncias estavam presentes em concentrações até 2.600 vezes superiores ao limite considerado seguro para cavalos.

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Registro de mortes em diversas cidades

De acordo com dados do Mapa, 238 mortes de equídeos foram confirmadas em diferentes estados do país. Em um haras de Indaiatuba, houve o registro de 29 mortes e cerca de 120 animais adoecidos.

Outro caso de grande impacto ocorreu na alagoana Atalaia, onde 79 animais morreram após consumir ração da empresa. Relatos também apontam óbitos e adoecimentos em propriedades de cidades como Campinas, Itu, Porto Feliz, Volta Redonda e Jaboticatubas, todas em São Paulo.

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A ação destaca ainda que a contaminação pode ter extrapolado os danos aos animais e atingido a cadeia alimentar humana, porque a empresa fabricava ração bovina na mesma linha de produção, sem mecanismos eficazes de controle de contaminação cruzada.

Conforme o processo, auditoras do Mapa alertaram para o risco de transmissão dos alcaloides tóxicos por leite, carne e fígado de animais alimentados com os produtos contaminados.

A reportagem do Canal Rural entrou em contato com a Nutratta, mas não obteve retorno até o momento da publicação. O espaço permanece aberto para manifestações.

*Sob supervisão de Victor Faverin

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