A agricultura de precisão brasileira acaba de conquistar reconhecimento internacional. Alunos da Fatec Pompeia “Shunji Nishimura”, no interior de São Paulo, venceram o Farm Robotics Challenge 2026, na categoria Excellence in Artificial Intelligence (AI), uma das mais importantes competições globais voltadas à robótica e inteligência artificial aplicadas ao agro.
A disputa reuniu equipes universitárias de 13 países e cinco continentes. Entre os concorrentes estavam instituições de destaque mundial, como Carnegie Mellon University, Cornell University e universidades do sistema University of California.
Promovido pela UCANR Innovate, braço de inovação da Universidade da Califórnia para Agricultura e Recursos Naturais, o desafio é considerado uma das principais vitrines globais para tecnologias agrícolas ligadas à robótica, sensores e inteligência artificial.
Batizada de V.A.R.D. (Agricultural Vigilance to Digital Response ou vigilância agrícola para resposta digital), a solução brasileira desenvolveu uma armadilha inteligente capaz de identificar e contabilizar insetos automaticamente em lavouras de algodão. O foco está em pragas como tripes e mosca-branca, que causam prejuízos significativos à cotonicultura.
O sistema utiliza câmeras de alta resolução, análise de imagens por inteligência artificial e iscas adesivas para monitorar os insetos em tempo real. A estrutura é alimentada por energia solar e integrada a um aplicativo móvel, permitindo que o produtor receba dados instantaneamente no campo.
Além da contagem automatizada, a plataforma gera indicadores técnicos usados no manejo integrado de pragas, como o nível de controle (NC) e o nível de dano econômico (NDE). Esses parâmetros ajudam o produtor a decidir quando aplicar defensivos agrícolas, reduzindo desperdícios e aumentando a eficiência operacional.
Segundo os organizadores da competição, os projetos foram avaliados com base em critérios como inovação, segurança, viabilidade comercial, precisão técnica e impacto social.
A expectativa é que a tecnologia desenvolvida pelos estudantes contribua para diminuir o uso de químicos nas lavouras, melhorar a janela de aplicação e reduzir custos de produção, além de ampliar a sustentabilidade da atividade agrícola.
A solução integra um projeto apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), liderado pelo pesquisador Mario Sato, do Instituto Biológico de São Paulo.
A equipe vencedora é formada por estudantes dos cursos de Tecnologia em Sistemas Inteligentes, Mecanização em Agricultura de Precisão e Big Data no Agronegócio. A combinação entre diferentes áreas foi apontada como um dos diferenciais do projeto.
Para a diretora da Fatec Pompeia, Marisa Renaud Faulin, a conquista representa o reconhecimento internacional da capacidade brasileira de desenvolver inovação aplicada ao campo.
Segundo ela, o prêmio comprova que os estudantes da instituição conseguem competir em alto nível com algumas das universidades mais influentes do mundo nas áreas de robótica e inteligência artificial agrícola.
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