O custeio das lavouras de soja, milho e algodão para a safra 2026/27 registrou alta em Mato Grosso em abril de 2026, no comparativo com o mês anterior. O avanço foi impulsionado pelo encarecimento dos principais insumos importados, refletindo o cenário de instabilidade no mercado internacional.
Segundo dados do projeto Custo de Produção Agropecuário em Mato Grosso (CPA-MT), desenvolvido em conjunto pelo Senar-MT e pelo Imea, a maior variação mensal ocorreu na cultura do milho. O custeio para o cereal subiu 2,32% em abril na comparação com março, atingindo R$ 3.772,24 por hectare. O aumento foi puxado pelos gastos com fertilizantes e corretivos, que saltaram 4,30% no período, além de defensivos agrícolas (+2,46%) e sementes (+0,11%).
Na soja, o valor projetado alcançou R$ 4.286,89 por hectare, um incremento de 1,88% em relação a março. O avanço reflete diretamente as despesas com fertilizantes, que subiram 2,73% em um mês, e com defensivos, que ficaram 2,17% mais caros.
O algodão também seguiu a tendência de encarecimento e teve alta mensal de 1,05% em abril, com o custeio estimado em R$ 10.642,28 por hectare. De acordo com o levantamento, o aumento foi justificado, principalmente, pela elevação das despesas com macronutrientes, diante do impacto logístico global decorrente de tensões no Estreito de Ormuz.
Com o avanço dos gastos operacionais, os analistas do Imea e do Senar-MT apontam para uma compressão das margens de lucro dos produtores rurais. “Esse movimento de alta está associado ao cenário externo, uma vez que as tensões no Oriente Médio elevam as incertezas do mercado, pressionando os custos e logística dos insumos agrícolas. Diante desse cenário, de custos elevados e preços ainda pressionados observa-se compressão das margens do produtor”.
Para a soja, considerando a produtividade média projetada em 62,44 sacas por hectare, o ponto de equilíbrio indica a necessidade de comercializar a saca a R$ 68,65 para cobrir o custeio — patamar 8,42% superior ao necessário na safra anterior. Com a aquisição dos insumos ainda em andamento, os custos externos seguem no foco de atenção dos agricultores.
No milho, com base na produtividade estimada em 118,71 sacas por hectare, o agricultor precisa negociar a produção a R$ 31,78 por saca para pagar o custeio e a R$ 46,34 por saca para arcar com o Custo Operacional Efetivo (COE). Como o preço médio do cereal em abril ficou em R$ 45,68 por saca, o valor cobre o custeio básico, mas exige que o produtor busque oportunidades estratégicas de venda para cobrir o COE.
Já para o algodão, cuja produtividade média está estimada em 119,82 arrobas de pluma por hectare, o cotonicultor necessita vender o produto a pelo menos R$ 127,09 por arroba para pagar o COE, que fechou abril em R$ 15.227,56 por hectare. “Por fim, com os preços mais atrativos da fibra nos últimos meses, observou-se a busca dos produtores por proteção de margens e travamento de custos, avançando na comercialização da safra 2026/27, que estava atrasada, mas superou a média dos últimos anos”.
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