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Empresa de alimentos adota medidas para conter impacto do El Niño nos custos


Foto: Pixabay

O último relatório do Centro de Previsão da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), publicado na quinta-feira (14), destacou que as chances de o fenômeno El Niño se confirmar no segundo semestre e persistir até o fim de 2026 são de 82%.

Além de temperaturas acima da média, ondas de calor e alterações no regime de chuvas em diferentes regiões do país, há também impactos na cadeia de abastecimento de alimentos, com pressão sobre logística, disponibilidade de alguns produtos e, consequentemente, preços.

Levantamento da LCA 4intelligence mostra que os eventos associados ao El Niño em 2024 responderam por 27,4% da inflação de alimentos no Brasil.

Segundo a empresa de alimentação coletiva terceirizada Nutrisaude, operações sem planejamento sazonal e monitoramento climático podem enfrentar aumento de até 15% nos custos de alimentação durante períodos de maior pressão climática.

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E esse fator tem peso maior sobre itens mais sensíveis ao calor e à irregularidade das chuvas, a exemplo de hortaliças folhosas, tomate, brócolis, couve-flor e algumas frutas e legumes.

“O clima já faz parte da estratégia de alimentação. No ano passado, durante os impactos associados ao La Niña, intensificamos o acompanhamento das safras, adaptamos cardápios e evitamos que oscilações climáticas elevassem em até 20% os custos de alimentação dos nossos clientes”, destaca o CEO da companhia, Victor Franco.

Agora, com a possibilidade de um novo El Niño, a empresa repete o protocolo, ampliando o monitoramento para obter mais previsibilidade dos custos sem perder a qualidade das refeições oferecidas, adotando as seguintes estratégias:

  • Substituição de folhas mais sensíveis, como alface e rúcula, por couve, repolho, acelga e escarola;
  • Redução da dependência de itens como tomate, brócolis e couve-flor em períodos de maior pressão de preço;
  • Ampliação do uso de legumes mais resilientes ao calor, como abóbora, mandioca, cenoura, beterraba e batata-doce;
  • Priorização de frutas com maior estabilidade de oferta, como banana, mamão, melancia e laranja;
  • Fortalecimento de compras regionais e da relação com agricultores familiares.

“Mais do que substituir ingredientes, o objetivo é impedir que oscilações climáticas comprometam a qualidade das refeições e pressionem os custos de alimentação. Quem trabalha diariamente com alimentos precisa olhar para o clima com antecedência”, diz Franco.

Segundo o CEO, o El Niño tem impacto direto em toda a cadeia de alimentação, da produção ao que chega diariamente às refeições de milhões de brasileiros. “Empresas que conseguem antecipar movimentos de safra, clima e abastecimento reduzem exposição à inflação e ganham mais estabilidade operacional”, conclui.

Com a consolidação cada vez mais provável do El Niño nos próximos meses, o Brasil poderá enfrentar períodos mais quentes no Sudeste, Centro-Oeste e Sul, além de alterações importantes nas chuvas, com irregularidades em áreas produtivas do Matopiba.

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