Enquanto montadoras aceleram investimentos em máquinas movidas a etanol, biometano e hidrogênio, debate sobre o PROCONVE MAR-II acende alerta no agro sobre aumento de custos, impacto operacional e futuro da descarbonização de máquinas agrícolas.
A transição energética das máquinas agrícolas já começou no Brasil, mas ainda está longe de seguir uma única direção. Durante a Agrishow 2026, fabricantes apresentaram tratores, colheitadeiras e equipamentos movidos a etanol, biometano, gás natural, hidrogênio e até eletrificação, mostrando que o setor vive uma verdadeira corrida tecnológica pela descarbonização.
Ao mesmo tempo, a discussão sobre a implementação do PROCONVE MAR-II — novo padrão brasileiro de emissões para máquinas agrícolas e equipamentos fora-de-estrada — abriu uma forte divergência entre indústria, fabricantes e entidades ligadas aos biocombustíveis. O principal temor é que as novas exigências elevem o preço das máquinas em até 25%, além de aumentar os custos operacionais no campo.
Durante a Agrishow, as fabricantes reconheceram que o maior desafio não está apenas em criar motores menos poluentes, mas em desenvolver soluções capazes de suportar a realidade severa do agro brasileiro, que exige potência contínua, autonomia elevada e abastecimento em regiões remotas.
Hoje, o diesel ainda domina as operações agrícolas pesadas, principalmente em colheitas e trabalhos de longa duração. Porém, as montadoras já enxergam os combustíveis renováveis como peça-chave no futuro do setor.
O etanol aparece como uma das principais apostas para o Brasil. A FPT Industrial, do grupo Iveco, apresentou motores desenvolvidos especificamente para aplicações agrícolas pesadas movidas ao biocombustível. Segundo Bernardo Brandão, presidente da empresa para a América Latina, o país possui vantagens competitivas naturais nesse processo.
“Quando analisamos a matriz energética brasileira, fica muito claro que o etanol vai ter um protagonismo muito forte no Brasil nos próximos anos”, afirmou o executivo.
Ainda de acordo com Brandão, o etanol pode reduzir em até 90% as emissões de carbono em comparação aos combustíveis fósseis.
“Os testes têm sido satisfatórios e nos conduzem a continuar os trabalhos na safra deste ano. Mas tem que comprovar a durabilidade e vida útil do motor”, explicou.
Além do etanol, o biometano vem ganhando força. A Valtra informou que suas máquinas movidas ao combustível já acumulam mais de 20 mil horas de testes em campo e prevê lançamento comercial para 2027.
Já a JCB aposta em motores movidos a hidrogênio, embora reconheça que a infraestrutura para abastecimento ainda seja um gargalo, inclusive na Europa.
Enquanto as fabricantes aceleram a busca por soluções sustentáveis, a implementação do PROCONVE MAR-II divide opiniões.
A AliançaBiodiesel, iniciativa formada pela Aprobio e Abiove, manifestou preocupação com os termos em discussão do programa conduzido pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima junto ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
Segundo a entidade, o modelo atual concentra esforços na redução de poluentes locais, mas deixa em segundo plano o debate sobre descarbonização e redução global das emissões de carbono.
Para o setor de biocombustíveis, o Brasil deveria priorizar combustíveis renováveis, como biodiesel e etanol, em vez de focar exclusivamente na adaptação de motores diesel aos novos padrões de emissões.
A entidade argumenta ainda que o novo marco pode entrar em contradição com a Lei do Combustível do Futuro, justamente por priorizar controle de emissões locais em regiões agrícolas de baixa concentração populacional.
O ponto que mais preocupa produtores e fabricantes, no entanto, é o impacto financeiro.
Segundo estimativas apresentadas pela AliançaBiodiesel, o custo das máquinas agrícolas pode subir entre 15% e 25%, podendo ultrapassar esse percentual em equipamentos menores utilizados pela agricultura familiar.
Além disso, o custo operacional pode aumentar entre 9% e 20% devido à obrigatoriedade do uso de diesel S10 e ARLA-32 nos motores mais modernos.
Outro ponto levantado é o possível impacto sobre a competitividade da indústria nacional. Empresas brasileiras sem fabricação própria de motores poderiam enfrentar custos maiores de adaptação tecnológica em comparação com multinacionais já preparadas para padrões globais de emissões.
O setor também questiona a efetividade prática das futuras regras do PROCONVE MAR-II. Segundo as entidades, o Brasil ainda não possui um sistema estruturado de fiscalização pós-venda para máquinas agrícolas, o que poderia estimular adaptações irregulares nos equipamentos e comprometer os objetivos ambientais do programa.
Na avaliação de especialistas, o debate atual revela um choque entre duas estratégias ambientais: de um lado, a redução de poluentes locais por meio de motores mais sofisticados; do outro, a defesa dos biocombustíveis como solução mais rápida e economicamente viável para reduzir emissões de carbono no Brasil.
Por enquanto, o cenário indica que o agro brasileiro seguirá convivendo com múltiplas tecnologias simultaneamente. E, apesar da pressão regulatória, fabricantes e entidades concordam em um ponto: a descarbonização do campo será gradual, regionalizada e diretamente ligada à realidade operacional das propriedades rurais brasileiras.
Jhonh Nilson, de 29 anos, havia sido visto pela última vez na quarta-feira (23); jovem…
Pesquisa Quaest aponta que senador cresceu na percepção do eleitor na comparação a agosto, enquanto…
Material explica fluxo de atendimento gratuito e alerta para proibições. Em casos de risco iminente…
Prefeitura concluiu estrutura de concreto, mas precisou estender prazo da obra em 15 dias aguardando…
Gravação de ligação com Luci Vânia Conci levou a Justiça a conceder medidas protetivas contra…
Eleitores estão distribuídos por 134 países e votarão apenas para presidente e vice-presidente; seções serão…