Bayer integra fundo pioneiro de R$ 500 milhões para descarbonização no agronegócio

A Bayer anuncia a sua participação como cotista institucional no primeiro fundo de investimento do Brasil dedicado exclusivamente aos Créditos de Descarbonização (CBIOs). Estruturado pela IWÁ, gestora especializada em ativos ambientais, o fundo tem um potencial de captação estimado em R$ 500 milhões e visa aumentar a liquidez, previsibilidade e escala das transações desses ativos, ampliando a oferta de crédito para os produtores rurais.
Desenvolvido em parceria com a B3, o fundo atua como formador de mercado para oferecer instrumentos que aumentam a circulação dos créditos e possibilitam seu uso como lastro financeiro em operações estruturadas, como o Barter. Essa iniciativa também proporciona às grandes distribuidoras de combustíveis mais opções para cumprir as suas metas regulatórias.
“No setor agrícola, o Barter é uma prática comum, na qual produtores recebem insumos e pagam com parte da produção futura. A inovação consiste em aplicar essa lógica ao mercado de descarbonização para criar uma operação piloto com cotas de um fundo lastreado em CBIOs”, explica Pollyana Morais, gerente de commodities e Barter da Bayer.
A iniciativa conecta grandes fabricantes de etanol e biodiesel, multinacionais do setor agrícola e distribuidoras de combustíveis para impulsionar soluções financeiras voltadas à descarbonização da cadeia produtiva. Segundo a executiva da Bayer, essa estratégia traz a sustentabilidade como um pilar fundamental no desenvolvimento de novos negócios para a Bayer.
“A participação no fundo está alinhada à sua estratégia de apoiar modelos de negócio que integrem produtividade, inovação e sustentabilidade. Nos últimos anos, temos contribuído para a descarbonização da cadeia por meio da plataforma PRO Carbono. Com nossa unidade de negócios de soluções regenerativas, estamos prontos para potencializar a geração de CBIOs e oferecer essas soluções ao mercado”, completa.
Além da Bayer, a usina Japungu Agroindustrial participa da iniciativa, que inicia sua fase de escala após a primeira operação realizada recentemente. A fundadora da IWÁ, especializada em ativos ambientais, Heloisa Baldin, afirma que a estrutura foi desenvolvida a partir de uma demanda da indústria e da busca para preencher lacunas no mercado de CBIOs e ativos regulatórios vinculados à Política Nacional de Biocombustíveis, o RenovaBio.
“Esse avanço é crucial para que produtores, distribuidores e empresas da cadeia agrícola planejem suas estratégias de descarbonização com maior segurança. Além disso, a estratégia do fundo integra os mercados de CBIOs e etanol, já que os créditos de descarbonização estão diretamente relacionados à produção de biocombustíveis”, acrescenta.
Os CBIOs são utilizados para o cumprimento das metas de descarbonização estabelecidas por lei e representam uma tonelada de CO₂ evitada na cadeia produtiva de biocombustíveis. A administração do fundo ficará a cargo do banco Daycoval, com assessoria jurídica dos escritórios Velloza, Cepeda e KLA, e a corretora do BTG foi a viabilizadora da operação.
“O fundo deve aumentar a liquidez para usinas e distribuidoras, tornando o CBIO uma ‘moeda verde’ que pode ser usada para lastrear operações de crédito e compra de insumos, intensificando a descarbonização da cadeia, além de ser essencial para o desenvolvimento de um mercado de carbono sólido no Brasil”, finaliza Heloisa.

agro.mt

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