Categories: Sustentabilidade

Doenças Foliares no Milho: Impacto na Produtividade


Embora o manejo fitossanitário do milho não seja tradicionalmente tão direcionado ao controle de doenças foliares quanto em culturas mais sensíveis, como a soja, pesquisas têm demonstrado que o manejo eficiente dessas doenças é indispensável para a obtenção de altas produtividades. Essa necessidade se torna ainda mais evidente em híbridos modernos, que apresentam elevado potencial produtivo, porém menor rusticidade.

Conforme destacado por Ribeiro (2020), a produtividade do milho está diretamente relacionada ao índice de área foliar (IAF). Entretanto, a cultura apresenta grande variabilidade desse índice ao longo do período vegetativo, em função dos diferentes fatores que influenciam o desenvolvimento das plantas. Estima-se que, para a obtenção de altas produtividades, sejam necessários valores de IAF próximos de 6,1.

Além de manter um IAF adequado, é fundamental preservar a sanidade das folhas, garantindo elevada capacidade fotossintética e, consequentemente, maior produção e translocação de fotoassimilados para os grãos. Nesse contexto, doenças como ferrugem-polisora (Puccinia polysora), helmintosporiose ou mancha-foliar (Exserohilum turcicum), mancha-de-phaeosphaeria (Phaeosphaeria maydis) e cercosporiose (Cercospora zeae-maydis) destacam-se entre as principais doenças foliares do milho, podendo causar perdas expressivas de produtividade quando não controladas adequadamente.

Godoy et al. (2001) observaram que doenças como a mancha-de-phaeosphaeria apresentam elevada capacidade de reduzir tanto a área foliar quanto a eficiência fotossintética do milho. Segundo os autores, independentemente do híbrido avaliado, a redução na taxa fotossintética foi proporcionalmente maior que a redução da área foliar causada pelas lesões (Figura 1). Em níveis de severidade entre 10 e 20%, a redução da taxa fotossintética líquida aproximou-se de 40%, evidenciando o impacto fisiológico dessas doenças sobre o potencial produtivo da cultura.

Figura 1. Efeito de diferentes severidades de mancha-de-phaeosphaeria na taxa fotossintética líquida relativa (Px /Po) de folhas de milho, na linhagem ESALQ PB2 (a) e nos híbridos XL 215 (b), FT 5130 (c) e FT 5150 (d). Fonte: Godoy et al. (2001).

Dependendo da suscetibilidade do híbrido às doenças, das condições ambientais e das práticas de manejo adotadas, as perdas de produtividade podem ser ainda mais expressivas. Conforme relatado por  Casela; Ferreira; Pinto (2006), em situações de alta severidade e ausência de manejo adequado, as perdas no milho podem ultrapassar 80% da produtividade potencial.

Além do elevado potencial de dano, algumas doenças apresentam grande capacidade de formação de lesões no limbo foliar (Figura 2), associada a características como rápida evolução e eficiente dispersão. Em muitos casos, os patógenos também conseguem sobreviver em restos culturais, dificultando o manejo e favorecendo novas infecções nas safras subsequentes.

Diante desse cenário, o uso de fungicidas no milho torna-se uma ferramenta indispensável para a manutenção da sanidade foliar e para a preservação do potencial produtivo da cultura, especialmente em sistemas de produção intensivos e com híbridos de alto desempenho.

Figura 2. Escala diagramática para avaliação de severidade de helmintosporiose comum em milho (Zea mays) causada por Exserohilum turcicum. Valores em percentual de área foliar com sintomas. Fonte: Lazaroto et al. (2012).

Ao avaliarem a eficiência de fungicidas na cultura do milho, Custódio et al. (2020)  verificaram que, dependendo do híbrido utilizado, do ambiente de cultivo e da severidade das doenças, fungicidas podem proporcionar incrementos de produtividade variando de 5% a 32%. Esses resultados evidenciam a relevância do manejo químico na preservação do potencial produtivo da cultura, minimizando as perdas em função das doenças foliares.

Corroborando esses resultados, Faria; Pereira; Ferraz (2022) constataram que o uso de fungicidas contribui significativamente para o aumento da produtividade e da sanidade do milho. Os autores destacam que, além do correto posicionamento em relação à época de aplicação, o número de aplicações também exerce influência direta sobre a eficiência do manejo fitossanitário.

Em uma abordagem complementar, Silva (2015) observou que a probabilidade de resposta positiva do milho ao uso de fungicidas é superior a 80%. Em termos práticos, isso demonstra que há elevada chance de obtenção de ganhos de produtividade quando fungicidas são utilizados de forma adequada no manejo da cultura.

Sobretudo, o correto posicionamento dos fungicidas exerce papel fundamental no manejo fitossanitário do milho, sendo decisivo para a obtenção de resultados consistentes em produtividade e sanidade da lavoura. Além de definir as aplicações de acordo com a necessidade da cultura e os diferentes estádios de desenvolvimento das plantas, é indispensável selecionar fungicidas de elevada performance e amplo espectro de controle.

Nesse contexto, a IHARA conta com o FUSÃO EC, um fungicida composto por dois mecanismos de ação pertencentes a diferentes grupos químicos, que alia alta performance e eficiência no controle das principais doenças foliares do milho. O fungicida apresenta ação sistêmica, sendo rapidamente absorvido e translocado pelas plantas, promovendo maior proteção da cultura (IHARA, s.d.).

Além disso, a associação de diferentes grupos químicos em sua composição torna o FUSÃO EC uma importante ferramenta no manejo da resistência de patógenos aos fungicidas. Seu posicionamento estratégico em períodos críticos do desenvolvimento do milho contribui para a manutenção da sanidade foliar, preservação da capacidade fotossintética das plantas e mitigação das perdas causadas pelas doenças, favorecendo a obtenção de maiores produtividades.

Referências:

CASELA, C. R.; FERREIRA, A. S.; PINTO, N. F. J. A. DOENÇAS NA CULTURA DO MILHO. Embrapa, Circular Técnica, n. 83, 2006. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/bitstream/doc/490415/1/Circ83.pdf >, acesso em: 20/05/2026.

CUSTÓDIO, A. A. P. et al. EFICIÊNCIA DE FUNGICIDAS NO CONTROLE DA MANCHA BRANCA DO MILHO: SEGUNDA SAFRA 2020. IDR-PARANÁ, Boletim Técnico n. 96. 2020. Disponível em: < http://www.idrparana.pr.gov.br/sites/iapar/arquivos_restritos/files/documento/2021-01/bt96_-_idr-parana_-_29-01-2021.pdf >, acesso em: 20/05/2026.

FARIA, J. E.; PEREIRA, J. L. A. R.; FERRAZ, M. A. J. AVALIAÇÃO DA PRODUTIVIDADE DO MILHO EM FUNÇÃO DAS ÉPOCAS DE APLICAÇÃO DE FUNGICIDAS. Josif, 2022. Disponível em: < https://www.google.com/search?q=AVALIA%C3%87%C3%83O+DA+PRODUTIVIDADE+DO+MILHO+EM+FUN%C3%87%C3%83O+DAS+%C3%89POCAS+DE+APLICA%C3%87%C3%83O+DE+FUNGICIDA&rlz=1C1JZAP_pt-BRBR1091BR1091&oq=AVALIA%C3%87%C3%83O+DA+PRODUTIVIDADE+DO+MILHO+EM+FUN%C3%87%C3%83O+DAS+%C3%89POCAS+DE+APLICA%C3%87%C3%83O+DE+FUNGICIDA&gs_lcrp=EgZjaHJvbWUyBggAEEUYOTIGCAEQRRg80gEHMjMxajBqN6gCCLACAQ&sourceid=chrome&ie=UTF-8 >, acesso em: 20/05/2026.

GODOY, C. V. et al. ALTERAÇÕES NA FOTOSINTESE E NA TRANSPIRAÇÃO DE FOLHAS DE M ILHO INFECTADAS POR Phaeosphaeria maydis. Fitopatologia brasileira 26 (2), 2001. Disponível em: < https://www.scielo.br/j/fb/a/QS37wLdvDNHhDyPrB78wTnM/?format=pdf&lang=pt >, acesso em: 20/05/2026.

IHARA. FUSÃO EC MILHO. IHARA: Agricultura é a nossa vida, s.d. Disponível em: < https://ihara.com.br/produtos/fusao-ec-milho/ >, acesso em: 20/05/2026.

LAZAROTO, A. ESCALA DIAGRAMÁTICA PARA AVALIAÇÃO DE SEVERIDADE DA HELMINTOSPORIOSE COMUM EM MILHO. Ciência Rural, v. 42, p. 2131-2137. Santa Maria – RS, 2012. Disponível em: < https://www.scielo.br/j/cr/a/5cDvMyVXYXMVLpKnDGnNM7h/?format=pdf&lang=pt >, acesso em: 20/05/2026.

RIBEIRO, B. S. M. R. et al. ECOFISIOLOGIA DO MILHO VISANDO ALTAS PRODUTIVIDADES. Santa Maria, ed. 1, 2020.

SILVA, A. L. METANÁLISE DO GANHO EM PRODUTIVIDADE COM APLICAÇÃO DE FUNGICIDAS FOLIARES EM MILHO NO BRASIL. Dissertação de Mestrado, Universidade Estadual de Londrina, 2015. Disponível em: < https://repositorio.uel.br/srv-c0003-s01/api/core/bitstreams/92e465c5-de56-48ca-bfe1-f4ad35b02ace/content >, acesso em: 20/05/2026.

agro.mt

Recent Posts

Danos econômicos do caruru em soja – MAIS SOJA

A ampla distribuição das plantas de caruru (Amaranthus spp.) no território nacional tem tornado cada…

10 minutos ago

Bairro de Cuiabá recebe quase 700 lâmpadas de LED para reforçar segurança nas ruas

Cuiabá troca 681 pontos de iluminação por LED e garante mais segurança e economia no…

14 minutos ago

Inmet emite alerta de perigo para baixa umidade em 69 municípios de MT; veja como se cuidar

Umidade do ar pode chegar a 12% nesta quarta-feira (12), com risco de incêndios florestais…

25 minutos ago

Meta 100%: Escola reúne professores para traçar novas estratégias de alfabetização

Profissionais da EMEB Profª Líbia da Costa Rondon passaram por formação para atacar as dificuldades…

51 minutos ago

Sebrae leva palestra sobre Inteligência Artificial para pequenos negócios em Juína

Evento gratuito será realizado no dia 25 de agosto e vai apresentar aplicações práticas da…

1 hora ago

Déficit de armazenagem e gargalos em irrigação ameaçam expansão da agricultura brasileira

O Brasil enfrenta gargalos estruturais que colocam em risco a competitividade do agronegócio e a…

2 horas ago