A próxima safra de arroz no Rio Grande do Sul começa a ser desenhada sob um cenário de incertezas e preocupação entre os produtores. O presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Denis Dias Nunes, projeta dificuldades significativas, impulsionadas principalmente pelo acesso restrito ao crédito, juros elevados e pela queda do dólar. De acordo com o dirigente, o setor deve manter ou até reduzir a área de plantio na próxima temporada. A avaliação considera o aumento do endividamento dos produtores, que já iniciam o novo ciclo com preços considerados baixos. “Apesar de uma recente recuperação nos valores, muitos agricultores têm optado por reter a produção à espera de melhores cotações”, observa.
Outro fator que influencia o mercado é o ritmo lento da colheita atual, o que contribui para uma comercialização mais cautelosa. Nunes destaca que, no início da safra, houve forte volume de exportações, garantindo entrada de recursos sem a necessidade de venda imediata do arroz recém colhido. “Além disso, com a proximidade da colheita da soja, a tendência é que produtores utilizem essa soja para gerar caixa, postergando a venda do arroz na expectativa de preços mais favoráveis”, projeta.
O dirigente ressalta ainda a importância das exportações como estratégia para reduzir os estoques internos e sustentar os preços. Nunes comemora a liberação de R$ 56 milhões por parte do Ministério da Agricultura para apoiar a comercialização do arroz. O valor será destinado à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para viabilizar um edital com uso de mecanismos como Prêmio para Escoamento de Produto (PEP) e Prêmio Equalizador Pago ao Produtor (Pepro).
Diante de tudo isso, a próxima safra é ainda uma incógnita, o que exige cautela e acompanhamento atento do mercado ao longo dos próximos meses”, orienta.
Fonte: Federarroz, disponível em Fecoagro
Autor:Federarroz, disponível em Fecoagro/SC
Site: Fecoagro/SC
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