Em março de 2026, as chuvas foram acima de 150 mm na Região CentroOeste, exceto em áreas da Região Sul, leste da Região Nordeste e norte de Roraima, onde os volumes de chuva foram inferiores a 90 mm e os níveis de umidade do solo foram mais reduzidos.
Em grande parte da Região Norte, os volumes de chuva foram superiores a 150 mm e os maiores volumes concentraram-se no norte do Amapá e nordeste do Pará, onde os acumulados variaram entre 600 mm e 800 mm. Este cenário contribuiu para a manutenção dos níveis de umidade do solo. Somente no norte de Roraima, os totais de chuva foram inferiores a 100 mm, insuficientes para elevar o armazenamento hídrico do solo nesta área.
Na Região Nordeste, as chuvas foram acima de 150 mm em áreas do Maranhão, Piauí, oeste do Ceará, Paraíba, Alagoas e Bahia. Destaque para o noroeste do Maranhão, onde os acumulados variaram entre 100 mm e 600 mm. Nestas áreas, o armazenamento hídrico se manteve elevado, garantindo boas condições para o desenvolvimento dos cultivos de primeira e segunda safra. No restante da região, os volumes de chuva foram inferiores a 120 mm, principalmente no leste, onde houve redução dos níveis de umidade do solo.
Bons volumes de chuva foram observados na maior parte da Região CentroOeste, com valores superiores a 150 mm, principalmente, em grande parte de Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal, onde os níveis de umidade do solo encontram-se elevados, acarretando em boas condições para o desenvolvimento dos cultivos de segunda safra. Já em áreas do sul e oeste de Mato Grosso do Sul, bem como no sul de Mato Grosso, os acumulados de chuva foram menores, havendo redução do armazenamento hídrico do solo.
Na Região Sudeste, as chuvas foram superiores a 120 mm em grande parte da região, mantendo os níveis de umidade do solo elevados. Estas condições vêm favorecendo o manejo e o desenvolvimento dos cultivos de segunda safra.
Na Região Sul, os volumes de chuva foram inferiores a 150 mm em grande parte da região. Em áreas do oeste do Paraná, leste de Santa Catarina, além do nordeste e oeste do Rio Grande do Sul, os volumes foram mais baixos, variando entre 70 mm e 90 mm. Estas condições reduziram a umidade do solo, causando restrição hídrica no desenvolvimento de algumas lavouras de milho segunda safra no Paraná e de soja no Rio Grande do Sul.
Em março, as temperaturas máximas foram acima de 30 °C nas Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Os maiores valores foram observados no oeste do Paraná, Mato Grosso do Sul, sul de Mato Grosso, norte do Piauí e Ceará, além do oeste do Rio Grande do Norte, Pernambuco e da região do Sealba. Em áreas da costa da Região Sudeste e da Região Sul, os valores permaneceram entre 26 °C e 28 °C. Quanto às temperaturas mínimas, os valores superaram os 22 °C na maior parte das Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Já nas Regiões Sul e Sudeste, as temperaturas foram inferiores a 22 °C.
CONDIÇÕES OCEÂNICAS RECENTES E TENDÊNCIA
Na figura a seguir, observa-se a anomalia da Temperatura da Superfície do Mar
(TSM) entre os dias 16 e 31 de março de 2026. Nesse período, registraramse valores entre 0,5 °C e -0,5 °C ao longo da faixa longitudinal compreendida entre 180° e 100°W, indicando valores próximos à média. Águas mais quentes foram observadas na costa oeste da América do Sul, na faixa entre 80°W e 110°W, com valores variando entre 0,5 °C e 2 °C. Ao analisar especificamente as anomalias médias diárias de TSM na região do Niño 3.4, delimitada entre 170°W e 120°W, verificaram-se valores inferiores a -0,5 °C a partir do final de fevereiro, indicando um rápido aquecimento das águas. Nestes primeiros dias de abril, estes valores encontram-se positivos e próximos de zero, o que pode indicar o início de uma neutralidade no Oceano Pacífico Equatorial.
A análise do modelo de previsão do El Niño – Oscilação Sul – ENOS, realizada pelo Instituto Internacional de Pesquisa em Clima – IRI, aponta para a transição das condições de La Niña para a Neutralidade durante o trimestre abril, maio e junho de 2026, com probabilidade de 53%.
As previsões climáticas para os próximos três meses, de acordo com o modelo do Inmet, são apresentadas na figura abaixo. O modelo indica a ocorrência de chuvas acima da média no centro-norte da Região Nordeste, na maior parte da Região Nordeste, em Mato Grosso e Rio Grande do Sul.
Analisando separadamente cada região do país, a previsão indica chuvas próximas e acima da média em grande parte da Região Norte, mantendo elevandos os níveis de umidade do solo. Chuvas mais irregulares são previstas para o sul da região amazônica, principalmente, em maio e junho, podendo reduzir os níveis de umidade no solo.
Na Região Nordeste, a previsão indica chuvas acima da média no centro- norte da região, porém, na parte sul, pode ter chuvas mais irregulares no final do trimestre, o que deverá reduzir os níveis de umidade do solo, principalmente, em maio, na região do Matopiba.
Em grande parte das regiões Centro-Oeste e Sudeste, são previstas chuvas próximas e abaixo da média. Em Mato Grosso e norte de Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Espírito Santo, podem ocorrer volumes acima da média. Entretanto, à medida que se aproxima do inverno, existe uma tendência natural de redução das chuvas, portanto, em maio e junho, os níveis de umidade de solo poderão ser mais baixos.
Na Região Sul, são previstas chuvas abaixo da média no Paraná e Santa Catarina. Já no Rio Grande do Sul, as chuvas podem ficar próximas e acima da média nos próximos meses. Quanto aos níveis de umidade do solo, esses devem permanecer satisfatórios em grande parte da região, a partir de maio.
As temperaturas médias do ar devem permanecer próximas e acima da média histórica em grande parte do país. São previstas temperaturas acima de 25 °C nas Regiões Norte, Nordeste e norte da Região Centro-Oeste. As temperaturas mais amenas e abaixo de 22 °C podem ocorrer nas Regiões Sul e Sudeste, centro-sul de Mato Grosso do Sul, partes leste e sul de Goiás e Distrito Federal. Em áreas mais elevadas das Regiões Sul e Sudeste, as temperaturas podem variar entre 15 °C e 17 °C.
Mais detalhes sobre prognóstico e monitoramento climático podem ser vistos, clicando aqui.
Fonte: Conab
Autor:Acompanhamento da safra brasileira de grãos | v.13 – Safra 2025/26, n° 7 – Sétimo levantamento, abril 2026.
Site: Conab
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