O avanço do conflito no Oriente Médio segue no radar do agronegócio. A expectativa por uma negociação entre Estados Unidos e Irã ainda é incerta, enquanto o impacto já aparece nos custos de produção no Brasil.
No Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, o tráfego de navios segue limitado e sob controle iraniano. O cenário pressiona as cotações do petróleo e, na sequência, encarece insumos estratégicos, como fertilizantes e diesel.
Com o Brasil dependente da importação de cerca de 85% dos fertilizantes que utiliza, o repasse da alta internacional já começa a aparecer no mercado interno.
Um levantamento do Cepea mostra que, desde o início do conflito:
Apesar disso, os preços ainda não refletem totalmente o movimento do mercado global.
Segundo o pesquisador do Cepea, Mauro Osaki, o efeito dos fertilizantes não é uniforme entre as culturas. No caso da soja, o impacto tende a ser menor. “A cultura não é grande demandante de nitrogenados, devido à fixação biológica de nitrogênio”, explica.
Por outro lado, culturas como milho, arroz, feijão e cana-de-açúcar dependem mais desses insumos e devem sentir com mais intensidade a alta de custos.
Além dos fertilizantes, o diesel também entra na conta e pressiona o custo operacional no campo.
Diferentemente de 2022, quando a guerra entre Rússia e Ucrânia elevou os preços das commodities, o cenário atual traz uma preocupação adicional: os produtos agrícolas não acompanham a alta dos insumos.
“O produto agrícola não está reagindo, e o poder de compra do produtor fica prejudicado”, afirma Osaki.
Com isso, o pesquisador explica que a tendência é de um mercado mais cauteloso, com produtores adiando compras e buscando racionalizar o uso de insumos para manter a produtividade.
Diante das margens mais apertadas, a avaliação é que o produtor pode reduzir investimentos e até o ritmo de produção na próxima safra. Segundo Osaki, esse movimento pode ter reflexos mais amplos na economia.
“Pode haver redução de oferta e, lá na frente, pressão sobre preços, o que impacta a inflação e dificulta a queda dos juros”, alerta.
A vulnerabilidade brasileira fica ainda mais evidente diante da concentração global na oferta de fertilizantes.
No caso do potássio, por exemplo, o mercado é dominado por poucos países, como Canadá, Rússia e Bielorrússia. Embora o Brasil tenha reservas, a exploração enfrenta entraves, principalmente por estar em áreas sensíveis da região amazônica.
Já no fosfato, há produção nacional, mas com qualidade inferior à de regiões como o Norte da África, o que reduz a competitividade.
“O custo de produção no Brasil precisa ser mais baixo que o dos concorrentes, e isso não tem acontecido”, aponta Osaki.
Apesar do avanço dos bioinsumos, eles ainda não são capazes de substituir integralmente os fertilizantes químicos.
Segundo Osaki, o uso atual é complementar. “É uma transição tecnológica. Ainda não conseguimos, com a tecnologia disponível, substituir totalmente os químicos”, explica.
A tendência, no entanto, é de crescimento gradual desse mercado, especialmente no Brasil, que já tem uso em larga escala.
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