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Cigarrinha-do-milho já apresenta evolução da resistência a inseticidas no Brasil – MAIS SOJA


A cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis) é atualmente a principal praga da cultura, causando danos indiretos por meio da transmissão dos enfezamentos, que podem reduzir drasticamente a produtividade e, em casos severos, inviabilizar a colheita. Embora o manejo integrado, com a adoção de diferentes estratégias, seja fundamental para a redução das populações da praga, o controle químico com inseticidas destaca-se como a alternativa mais eficiente para obtenção de resultados em curto prazo.

Figura 1. Foto de adulto da cigarrinha-do-milho Dalbulus maidis.
Foto: Oliveira, Charles Martins de

Considerando o curto ciclo de vida da cigarrinha e sua grande capacidade de reinfestar rapidamente as áreas agrícolas, a aplicação sequencial de inseticidas, respeitando curtos intervalos entre aplicações é uma das estratégias mais eficientes para a redução expressiva da população da praga, especialmente durante a fase sensível do milho á cigarrinha (de VE a V5).

No entanto, mesmo adotando essa estratégia, o posicionamento de inseticidas quanto a eficiência de controle é de suma importância visando o sucesso do manejo. Da mesma forma, o planejamento estratégico do posicionamento dos inseticidas é crucial para o manejo da resistência da praga a inseticidas, bem como para a manutenção da eficácia de mecanismos de ação no controle da cigarrinha do milho.

Recentemente, o Comitê de Ação à Resistência a Inseticidas – Brasil (IRAC) divulgou um boletim técnico destacando a evolução da resistência da cigarrinha Dalbulus maidis  a piretroides (Grupo 3A) e neonicotinoides (Grupo 4A) no Brasil. De acordo com o Boletim, estudos realizados no Laboratório de Resistência de Artrópodes a Táticas de Controle da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (ESALQ/USP), reportaram casos de evolução da resistência de D. maidis a alguns inseticidas pertencentes aos grupos químicos dos piretroides e neonicotinoides, em populações coletadas em importantes regiões produtoras de milho no país.

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O estudo publicado por Dias e colaboradores (2025) demonstram que a resistência da cigarrinha do milho a imidaclopride é instável e podem apresentar resistência a bifentrina e outros inseticidas desse grupo (Piretroides). Através de bioensaios, os autores observaram que a razão de resistência aumentou de 1397 vezes para 8871 vezes na linhagem Imi-R (linhagem resistente ao imidaclopride) e diminuiu de 1397 vezes para 105 vezes na linhagem Imi-unsel (população sem pressão seletiva) demonstrando que a resistência de D. maidis ao imidaclopride é instável, ou seja, sem pressão de seleção (uso do inseticida), a resistência tende a reduzir ao longo do tempo.

Figura 2. Monitoramento da taxa de resistência ao longo de 11 gerações em uma população de Dalbulus maidis, na presença ou na ausência de pressão seletiva com o inseticida bifentrina.
Adaptado: Dias e colaboradores (2025)

Os cruzamentos recíprocos mostraram que a resistência da Dalbulus maidis ao imidacloprido é autossômica (não ligada ao sexo), incompletamente dominante (os indivíduos heterozigotos já apresentam certo nível de resistência) e poligênica (controlada por vários genes). Estudos de resistência cruzada indicaram que a linhagem Imi-R apresenta alta resistência (>200 vezes) a bifentrina, lambda-cialotrina e acetamiprido. Por outro lado, a resistência entre imidacloprido e outros grupos de inseticidas, como carbamatos (metomil e carbosulfam), organofosforados (acefato) e o neonicotinóide dinotefuran, foi baixa (razão de resistência <7 vezes) (Dias et al., 2025).

Vale destacar que estudos anteriores como o desenvolvido por  Machado e colaboradores (2024) já haviam identificado a suscetibilidade reduzida de populações da cigarrinha do milho à bifentrina, acetamiprido e imidacloprido, fato que demonstra que a resistência da praga tem evoluído ao longo das safras. Nesse contexto, fica evidente a necessidade de rotacionar inseticidas para o controle químico da cigarrinha Dalbulus maidis, reduzindo a pressão de seleção pelo uso contínuo de inseticidas de mesmo grupo químico, especialmente se tratando de piretroides e neonicotinóides.


Veja mais: Suscetibilidade da cigarrinha do milho a inseticidas


Referências:

DIAS, G. S. et al. BIFENTHRIN RESISTANCE IN Dalbulus maidis (Hemiptera: Cicadellidae): INHERITANCE, CROSS-RESISTANCE, AND STABILITY. Pest Manag Sci., 2025.Disponível em: < https://scijournals.onlinelibrary.wiley.com/doi/epdf/10.1002/ps.8848 >, acesso em: 31/03/2026.

IRAC. BOLETIM TÉCNICO: EVOLUÇÃO DA RESISTÊNCIA DE Dalbulus maidis (CIGARRINHA-DO-MILHO) A PIRETROIDES (GRUPO 3A) E NEONICOTINOIDES (GRUPO 4A) NO BRASIL. Comitê de Ação à Resistência a Inseticidas: Brasil, 2026. Disponível em: < https://92813ac4-b3b4-47f4-a8b3-43c4292d561c.filesusr.com/ugd/6c1e70_4e4a5230daff42d9b4283e8f2748c33a.pdf >, acesso em: 31/03/2026.

MACHADO, E. P. IS INSECTICIDE RESISTANCE A FACTOR CONTRIBUTINGTO THE INCREASING PROBLEMS WITH Dalbulus maidis (Hemiptera: Cicadellidae) IN BRAZIL? Society of Chemical Industry, 2024. Disponível em: < https://scijournals.onlinelibrary.wiley.com/doi/epdf/10.1002/ps.8237?domain=author&token=EFNPXSEM4KUXHHESVXEG >, acesso em: 31/03/2026.

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