O recente aumento no preço do óleo diesel nas bombas de Mato Grosso disparou um sinal de alerta no setor produtivo. O movimento ocorre em um momento de fragilidade para os agricultores, que já enfrentam crédito escasso e endividamento recorde. Para a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), a elevação do principal insumo logístico do país atua como “uma fagulha em um quarto cheio de explosivos”.
De acordo com levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o preço médio do óleo diesel S500 comum saltou de R$ 6,26 para R$ 6,28 o litro entre a segunda quinzena de fevereiro e a primeira semana de março. No mesmo período, o óleo diesel S10 registrou uma alta mais acentuada no estado, subindo de R$ 6,33 para R$ 6,38 o litro.
Como o diesel movimenta desde as máquinas no plantio até os caminhões que escoam a safra, o impacto tende a transbordar para as cidades. “O aumento do diesel não afeta apenas o produtor rural. Ele pressiona o transporte, encarece alimentos, medicamentos e produtos essenciais”, destaca a entidade, reforçando o risco de um forte impacto inflacionário para o consumidor final.
O cenário atual expõe a vulnerabilidade brasileira diante das variações do petróleo tipo Brent no mercado internacional. Mesmo sendo um grande produtor de óleo bruto, o Brasil ainda depende da importação de parte do diesel que consome. Para a Associação, a rapidez com que os choques externos chegam às bombas sugere que “alguns elos da cadeia parecem se antecipar aos ajustes efetivos, ampliando margens”.
Para reduzir essa exposição, o setor defende o fortalecimento da política de biocombustíveis, com metas mais ambiciosas para a mistura de biodiesel (B17 e B20). O argumento é que o uso de óleo vegetal produzido internamente amplia a segurança energética e valoriza a soja nacional. “Reduzir gradualmente essa vulnerabilidade deve ser um objetivo estratégico do Brasil”, aponta a Aprosoja MT.
Além de soluções estruturais, a entidade sugere a discussão de medidas fiscais emergenciais, como a utilização de instrumentos tributários para mitigar o impacto sobre a sociedade, a exemplo das desonerações de ICMS e tributos federais ocorridas em 2022.
“Enfrentar esse desafio exige celeridade, coordenação e visão estratégica. Reduzir vulnerabilidades externas, fortalecer a produção nacional de biocombustíveis e adotar medidas fiscais temporárias que protejam a economia em momentos críticos são passos fundamentais para garantir estabilidade econômica”, frisa a entidade em nota.
A Aprosoja MT reforça que é papel do Poder Executivo, nas esferas federal e estadual, agir com agilidade. Para os produtores, o momento exige “sensibilidade” das autoridades para evitar que a inflação de custos comprometa a viabilidade da safra e a segurança alimentar do país.
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