A cotação do milho, em Chicago, até o momento apresenta pouca alteração devido ao conflito entre EUA/Israel e o Irã. A cotação do bushel do cereal trabalhou entre US$ 4,27 e US$ 4,40 nas últimas semanas, ficando mais baixa do que um ano atrás, quando no mesmo período oscilou entre US$ 4,40 e US$ 4,80/bushel. O fechamento desta quinta-feira (05) ficou em US$ 4,41/bushel, contra US$ 4,33 uma semana antes. A média de fevereiro atingiu a US$ 4,29, recuando 0,2% sobre a média de janeiro.
Os embarques estadunidenses de milho, na semana encerrada em 26/02, atingiram a 1,8 milhão de toneladas, superando as expectativas do mercado. Assim, o total do cereal já embarcado pelos Estados Unidos, no atual ano comercial, chega a 39,6 milhões de toneladas, ou seja, 45% acima do registrado há um ano no mesmo período.
E aqui no Brasil, os preços ensaiaram uma pequena recuperação, porém, sem sustentação por enquanto, diante do avanço da colheita da safra de verão e certas dificuldades de exportação, agora pioradas pelo conflito no Oriente Médio. No Rio Grande do Sul as principais praças praticaram R$ 56,00/saco, enquanto no restante do país os valores oscilaram entre R$ 51,00 e R$ 68,00/saco. Em termos de preço por aqui, segundo o Cepea, os mesmos só não estariam menores porque os produtores estão segurando o produto visando melhoria nas cotações e dando prioridade às vendas de soja.
Segundo a Conab, o plantio da safrinha, em todo o Brasil, se mantinha atrasado no início de março, com 65% da área esperada semeada, contra 70% no mesmo período do ano passado, porém, acima da média dos últimos cinco anos que é de 57,2%. Até então o Mato Grosso havia semeado 85,6% da sua área, Tocantins 70%, Goiás 62%, Maranhão 57%, Mato Grosso do Sul e Paraná 45%, Minas Gerais 31% e Piauí 28%. Já a colheita da safra de verão, em todo o país, atingia a 25% da área, ficando praticamente igual ao do ano passado e acima dos 23% da média dos últimos cinco anos. Até então, o Rio Grande do Sul havia colhido 75% da área, Paraná 42%, Santa Catarina 28%, São Paulo 7%, Bahia 6% e Minas Gerais 1%. Os demais estados ainda não haviam iniciado a colheita.
Em relação especificamente ao Centro-Sul brasileiro, a área semeada teria chegado a 66% do esperado até o dia 26/02, sendo este o índice mais baixo desde 2022. Um ano atrás o plantio atingia, nesta época, a 80% da área esperada. Já o milho verão estava com 36% colhido na região, contra 46% um ano atrás (cf. AgRural).
Em paralelo, o mercado acompanha de perto o conflito no Oriente Médio já que o Irã se tornou o principal importador de milho brasileiro. Se o conflito perdurar o Brasil irá destinar o produto para outros países, já que nosso mercado do cereal é bem mais diversificado do que o da soja. Em termos de participação, o Irã absorveu 9,08 milhões de toneladas de nosso milho exportado em 2025, ou seja, cerca de 20% de toda a exportação brasileira de milho no ano passado. Para o país persa, o Brasil é um fornecedor estratégico: aproximadamente 80% de todo o milho importado pelos iranianos têm origem nas lavouras brasileiras.
Em contrapartida, o Irã também exporta componentes de fertilizantes para o Brasil. Em 2025, o país persa exportou 184.700 toneladas de ureia para o Brasil. Não é muito perto dos milhões de toneladas que importamos, mas um conflito que envolva este país provoca aumento de preços dos fertilizantes no mundo. Mas, existem suspeitas de que o Irã faça triangulações na exportação de ureia, o que deixaria o volume total por nós importado daquele país bem maior. É possível que cargas iranianas cheguem ao Brasil sob bandeira de países como a Nigéria, Omã ou Catar, para contornar restrições comerciais impostas contra o Irã (cf. Abramilho).
Enfim, a produção total de milho no Brasil, em 2025/26, está, agora, estimada entre 136 e 141,7 milhões de toneladas. Este último número superando de pouco a safra passada. A área plantada teria sido de 21,83 milhões de hectares. Em termos de safrinha, a produtividade média ficaria em 6.417 quilos/hectare. Isso remete o potencial de colheita da safrinha para 100,6 milhões de toneladas, ficando muito próximo do registrado no ano passado. Já a colheita de verão ficaria em 25,5 milhões de toneladas no Centro-Sul do país, quase um milhão de toneladas acima do registrado no ano anterior (cf. Safras & Mercado).
Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹
1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).
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