As exportações de milho do Brasil para o Irã cresceram cerca de 280% nos últimos cinco anos, consolidando o país asiático como um dos principais destinos do cereal brasileiro. Os dados reforçam a importância do mercado iraniano para o agronegócio nacional, especialmente em um momento de tensão geopolítica no Oriente Médio.
Segundo levantamento apresentado no Mercado & Cia, o Brasil exportou 3,23 milhões de toneladas de milho para o Irã em 2021. Em 2025, esse volume chegou a aproximadamente 9 milhões de toneladas, evidenciando o avanço da participação iraniana nas compras do cereal brasileiro.
Apesar do cenário de conflito na região, analistas e entidades do setor avaliam que os impactos no curto prazo tendem a ser limitados. No entanto, especialistas alertam que os efeitos podem aparecer no médio e longo prazo, dependendo da duração e da intensidade das tensões.
O crescimento das compras iranianas também elevou a participação do país no total das exportações brasileiras de milho.
Em 2025, cerca de 22,5% de todo o milho exportado pelo Brasil teve como destino o Irã. O volume total de embarques do cereal ficou entre 39 milhões e 40 milhões de toneladas nos últimos dois anos.
A relevância do mercado iraniano chama atenção justamente em um momento em que o Brasil busca recuperar o ritmo das exportações. Em 2023, o país registrou um recorde de 55 milhões de toneladas exportadas, mas os volumes recuaram nos anos seguintes.
Outro ponto de atenção no comércio internacional do milho brasileiro é a concentração de mercados compradores.
De acordo com os dados, Irã, Egito e Vietnã responderam por 53% das exportações brasileiras do cereal em 2025.
O ranking dos principais importadores no ano passado foi liderado pelo Irã, com cerca de 9 milhões de toneladas, seguido por Egito, com 7,6 milhões de toneladas, e Vietnã, com aproximadamente 4,26 milhões de toneladas.
No ano anterior, o Egito ocupava a primeira posição entre os compradores do milho brasileiro, seguido pelo Irã, indicando uma alternância entre os dois países na liderança das importações.
Nos dois primeiros meses de 2026, o ritmo das exportações brasileiras para o Irã segue elevado.
Entre janeiro e fevereiro, o Brasil embarcou 5,8 milhões de toneladas de milho, sendo que 1,3 milhão de toneladas tiveram como destino o país asiático. Isso representa cerca de 23% do total exportado no período, percentual semelhante ao registrado ao longo de 2025.
Grande parte do milho destinado ao mercado iraniano sai por dois portos brasileiros. Quase 80% das exportações para o Irã são embarcadas pelos portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR).
Somente nos dois primeiros meses de 2026, aproximadamente 600 mil toneladas saíram pelo porto de Santos, enquanto cerca de 400 mil toneladas foram embarcadas por Paranaguá.
Além da possível redução das compras, outro fator que preocupa o mercado é o aumento do custo do frete marítimo.
Conflitos no Oriente Médio costumam pressionar o preço do petróleo e elevar os custos logísticos, especialmente em rotas que passam por regiões estratégicas, como o Estreito de Ormuz, um dos principais corredores para o transporte global de petróleo.
Com o aumento do risco geopolítico, o custo do transporte tende a subir, o que pode dificultar a competitividade das exportações.
O Brasil deve colher cerca de 140 milhões de toneladas de milho, o que gera um volume significativo de excedente exportável.
Caso as vendas para o Irã sejam afetadas ao longo do ano, especialistas alertam que será necessário buscar novos mercados para absorver parte desse milho, garantindo liquidez ao produto e sustentação de preços no mercado interno.
Segundo analistas, a diversificação de destinos será fundamental para evitar impactos maiores no setor caso o conflito se prolongue.
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