O excesso de chuva já provoca prejuízos à safra e trava o avanço das atividades no campo em Marcelândia, no norte de Mato Grosso. Com o solo encharcado, produtores enfrentam dificuldades para colher a soja, plantar o milho segunda safra e escoar a produção, em meio a um volume de precipitações muito acima da média histórica.
Até a semana passada, o município acumulava cerca de 2,3 mil milímetros de chuva, número que já supera a média anual de 1,8 mil milímetros. A previsão é que o volume se aproxime dos 3 mil milímetros até o fim de março, agravando ainda mais a situação no campo.
Presidente do Sindicato Rural de Marcelândia, Marcelo Cordeiro afirma que o excesso de precipitações tornou as áreas improdutivas temporariamente, impedindo operações básicas. Segundo ele, as terras estão completamente encharcadas, o que tem provocado o atolamento de máquinas tanto na colheita quanto no plantio. “Nós vivemos um ano atípico”, diz ao Canal Rural Mato Grosso.
Conforme o dirigente, o problema vai além das lavouras e atinge também o escoamento da produção, principalmente nas estradas de terra. O excesso de umidade tem dificultado o tráfego e ampliado os desafios enfrentados pelos produtores. “Para fazer a colheita atola, para fazer o plantio do milho também atola, para o escoamento nas estradas não pavimentadas há muita dificuldade, então é um período com muita dificuldade para o produtor rural”.
As dificuldades também se estendem à infraestrutura rural, com pontes danificadas e estradas em condições precárias, o que compromete o transporte da produção mesmo quando é possível sair das lavouras. De acordo com Cordeiro, apesar dos reparos realizados pelo município, é necessário maior apoio estadual para garantir o tráfego com segurança.
“A prefeitura vem fazendo um trabalho de reparo nas pontes. Contudo, há que se fazer um repasse maior da parte do Estado, aporte de recursos para que possa melhorar essas pontes, essas estradas, porque hoje tá impraticável”.
O dirigente ressalta que o produtor enfrenta uma sequência de obstáculos, desde a produção até a logística, o que aumenta a pressão sobre a renda no campo. Ele também cobra maior retorno dos impostos pagos pelo setor.
“Temos o Fethab do estado de Mato Grosso que é recolhido. Temos os demais impostos que nós pagamos todos. A dificuldade toda que o produtor rural passa e nós temos que ter uma logística melhor, é um respeito melhor ao produtor rural”, frisa à reportagem.
Entidades do agro também pedem ao Governo de Mato Grosso e à Assembleia Legislativa de Mato Grosso medidas emergenciais, incluindo a suspensão do Fethab 2. O presidente do Sindicato Rural de Marcelândia afirma que o momento exige sensibilidade diante das perdas e das dificuldades enfrentadas no campo. “Diversas associações, federações ligadas ao agro estão buscando junto ao governo essa sensibilização, para que o governo entenda que o momento hoje é crítico em diversos setores”.
As perdas na safra de soja já são consideradas inevitáveis. A estimativa é de redução na produção, impacto que deve atingir diretamente a rentabilidade do produtor. “Em torno de 15% é o que a gente imagina que vai ser a perda nossa de soja aqui”. Segundo ele, esse percentual representa praticamente toda a margem de lucro da atividade. “Praticamente o lucro”.
O excesso de chuva também tem reduzido drasticamente os períodos de sol na região, dificultando ainda mais a recuperação das lavouras e o andamento das operações. “São poucos dias sem chuva. São raros os dias em que o sol aparece aqui. Então, é dessa forma que a gente tá vivendo, né? Excesso de chuva”.
Em Marcelândia, como comentado recentemente pelo Canal Rural Mato Grosso, um levantamento realizado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) e a Secretaria Municipal de Agricultura estima um prejuízo por hectare de R$ 1,8 mil. O montante leva em consideração as perdas por grãos avariados e descontos decorrentes da alta umidade.
Diante da gravidade do cenário e dos prejuízos financeiros, municípios como Marcelândia, Feliz Natal e Matupá decretaram situação de emergência. A medida busca a realização de ações emergenciais para conter os impactos das chuvas sobre a infraestrutura local e o setor produtivo, bem como dar suporte aos produtores e acelerar intervenções nas estradas e pontes afetadas, em um momento em que a prioridade é garantir a retirada da soja do campo.
“Há produtores que colheram 100% da sua área, outros 70% e alguns que só agora estão chegando em torno de 50%, porém todos eles nos relataram que tiveram perdas por avarias e também a alta umidade do grão, devido às fortes chuvas nos últimos 20 dias“, comenta Diego Bertuol, diretor administrativo da Aprosoja MT e produtor em Marcelândia.
O vice-presidente da entidade, Luiz Pedro Bier, ressalta que a Associação “continua acompanhando o cenário com grande preocupação. As chuvas estão realmente castigando o produtor mato-grossense”.
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