A comercialização do milho segunda safra em Mato Grosso segue em ritmo mais lento que o habitual, refletindo um cenário de preços pressionados e incertezas ainda presentes no campo. Até o momento, cerca de 32% da produção prevista para o ciclo 2025/26 foi negociada, percentual abaixo da média histórica para este período de 37,39%.
Mesmo com o avanço em relação ao ano passado, o comportamento do mercado indica maior cautela por parte dos produtores. A estimativa é que o Estado produza 51,7 milhões de toneladas, volume quase 7% inferior ao registrado na safra anterior, o que também influencia as decisões de venda.
De acordo com o superintendente do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), Cleiton Gauer, o ritmo atual ainda supera o observado no mesmo momento do ciclo passado, mas permanece abaixo do padrão histórico. “Comparado com o mesmo momento, nós somos hoje 5% à frente da safra anterior, mas ainda assim 5% abaixo da média histórica no mesmo período”.
Segundo ele, o ambiente de preços mais apertados e custos elevados tem exigido mais cautela e planejamento por parte do produtor. “Esse momento com pressão dos preços, preços mais apertados e o produtor com um ajuste e uma necessidade de composição da próxima safra com preços mais caros, pressiona o produtor a tomar melhores decisões com mais cautela, organização e estrutura”, pontua ao projeto Mais Milho.
O recuo nas cotações é um dos principais fatores por trás da desaceleração nas negociações. O milho disponível, colhido na safra passada, apresenta preço cerca de 25% menor em comparação ao mesmo período do ano anterior. Já o milho futuro registra desvalorização ainda maior, de aproximadamente 27%.
Conforme Gauer, os preços vêm acumulando quedas nos últimos meses, influenciados principalmente pelo enfraquecimento da demanda e pelo impacto do câmbio sobre as exportações. “Nós temos observado uma queda sequencial dos preços aqui no interior do Estado e também no Brasil de maneira geral”, salienta ao Canal Rural Mato Grosso.
O dólar mais fraco reduz a competitividade do milho brasileiro no mercado externo e contribui para pressionar os preços internos, somado ao aumento da oferta disponível.
Além do mercado, fatores ligados ao desenvolvimento da safra também pesam na decisão de venda. O produtor ainda acompanha o avanço do plantio, a regularidade das chuvas e a confirmação do potencial produtivo antes de intensificar as negociações.
Segundo o superintendente do Imea, esse cenário deve manter o ritmo mais lento no curto prazo. “Nós devemos ter um arrefecimento da comercialização nesses próximos meses até que isso se consolide e os produtores voltem a comercializar com um pouco mais certeza”.
A tendência, frisa Gauer, é que o avanço das vendas ocorra gradualmente, conforme a safra se consolide e surjam necessidades como formação de caixa e liberação de espaço nos armazéns, fatores que tradicionalmente impulsionam a comercialização ao longo do ciclo.
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