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Café solúvel brasileiro segue atrás de México e Colômbia mesmo com redução tarifária


Foto: Pixabay

A tarifa para a exportação de café solúvel brasileiro aos Estados Unidos teve redução de 50% para 15%, de acordo com as novas diretrizes do governo de Donald Trump, pressionado pela derrubada das cobranças adicionais pela Suprema Corte do país.

Ao mesmo tempo, os cafés verdes, torrados e torrados e moídos seguem isentos de taxação, conforme recuo norte-americano de novembro de 2025. O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) divulgou nota em que comemora o atual cenário, mas ainda enxerga que a questão do solúvel demanda atenção.

Segundo a entidade, apesar dos 15% ser a mesma tarifa imposta à maioria dos outros concorrentes, trata-se de patamar superior ao do México, principal fornecedor do produto ao mercado dos Estados Unidos e que possui taxa zero por acordo bilateral.

“Entendemos, devido a isso, que se faz necessário o Brasil buscar acordo comercial bilateral com os Estados Unidos para eliminar a taxa imposta sobre o produto nacional, permitindo que tenha condições de igualdade com o México e possa recompor sua participação de mercado”, destaca a nota.

Já a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics) avalia com otimismo e cautela a aplicação das tarifas de importações globais de 15% aos Estados Unidos. “A medida restaura parte da competitividade do produto nacional no mercado norte-americano, após a imposição de uma tarifa de 50%, em vigor desde julho de 2025, que resultou em queda de cerca de 50% no volume exportado nos últimos seis meses”, diz, também em nota.

Há mais de 60 anos o mercado norte-americano adquire o produto brasileiro, respondendo por cerca de 20% da fatia embarcada, com compras anuais superiores a US$ 220 milhões. Ainda que a redução tarifária traga um respiro ao setor, a Abics lembra que, além de México, o Brasil também fica atrás da Colômbia, que paga tarifa de 10% para vender aos estadunidenses.

Falta de previsibilidade

O Cecafé destaca que, no contexto geral, é preciso ter cautela, uma vez que as constantes mudanças nas tarifas dos produtos do mundo para o mercado norte-americano impedem que o mercado opere de forma eficiente pela falta de previsibilidade das operações no presente e no futuro nas bolsas globais.

“O Brasil ainda necessita encontrar meios para firmar acordos bilaterais e manter bom relacionamento governamental com os Estados Unidos, o que pode acontecer no encontro presencial entre os presidentes Lula e Trump, previsto para março”, ressalta o texto.

O Conselho enxerga que tal aproximação e o bom relacionamento são fundamentais por conta da investigação que os Estados Unidos move contra o Brasil, a Seção 301 no âmbito da United States Trade Representative (USTR), para apuração de supostas práticas desleais de comércio relacionadas a desmatamento e desrespeito a questões sociais. A tendência é que essas apurações sejam concluídas entre maio e junho deste ano.

“Em setembro do ano passado, em Washington, o Cecafé e a National CoƯee Association (NCA), em audiência pública, fizeram uma grande defesa, com dados científicos e comprováveis sobre os cafés do Brasil. Isso é muito importante para tentarmos retirar a impressão equivocada de que nossos cafés são produzidos com desrespeito a questões sociais e ambientais e para que nosso país não sofra com tarifas adicionais e elevadas que poderão ser impostas caso a decisão aponte práticas desleais de comércio”, destaca a nota.

A Abics, por sua vez, enxerga no momento “apreensão, atenção e esperança”. A entidade reforça a necessidade de retomar o protagonismo do café solúvel brasileiro nos Estados Unidos, o maior e mais tradicional cliente, preservando o papel fundamental que aquele mercado exerce na cadeia de valor nacional.

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