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Parceria entre Brasil e Índia contempla de feijão a combustível de aviação


Foto: Pixabay

O Fórum Empresarial Brasil-Índia reuniu empresários e autoridades dos dois países em Nova Déli para aproximar as duas economias, consideradas duas das mais pujantes entre as nações em desenvolvimento.

O gerente de Agronegócios da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Laudemir André Müller, ressalta que o evento tem o potencial de trabalhar o agronegócio brasileiro na região. “A Índia é um país gigante, mas mais do que isso: possui quase 300 milhões de pessoas que saíram da pobreza. Isso significa crescimento, significa mais comida que eles vão precisar”, ressalta.

Ele lembra que apesar de ser um grande produtor de alimentos, o país asiático não tem a capacidade de surprir a sua própria demanda e, para isso, precisa contar com parceiros comerciais, como o Brasil.

Já o presidente da Apex-Brasil, Jorge Viana, destaca que o fórum de Nova Déli é o maior realizado pela atual missão brasileira entre os 20 já feitos. “Foi anunciado investimento pelas empresas indianas de R$ 10 bilhões [no Brasil] nos próximos anos, e também foi anunciado o investimento a Vale e da Embraer aqui na Índia”, detalha.

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Para o diretor-executivo da Nanoventions Brasil, Ritesh Sharma, a aproximação é benéfica para os dois países, uma vez que a Índia também busca maior infiltração na América Latina.

“Acho que precisávamos [da atuação] mais forte dos governos. […] acho que os dois países vão crescer. Por exemplo, nós estamos fazendo uma parceria de três anos [com o Brasil]. Agora nós começamos a construir uma fábrica no Paraná, levando tecnologia da Índia para o Brasil e também tecnologia do Brasil para a Índia. Estamos muito animados pela cooperação, para os negócios que vão fortalecer esse relacionamento”, diz.

Exportação de alimentos

Ao longo do fórum, o Brasil vem focando em seu potencial de produção de alimentos para exportação. Nessa esfera, um dos destaques é o feijão. O presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe), Marcelo Lüders, conta que o país tem buscado ampliar a presença da leguminosa na Índia com foco em dois tipos.

“Dois deles têm um grande volume de exportação para a Índia. Um deles nós já temos agora um acordo fitossanitário, que é o mungo-preto e o outro que nós estamos aguardando o acordo fitossanitário, que pode vir a ser anunciado agora ou em mais algum tempo, seria do nosso guandu.”

Segundo Lüders, a abertura de mercado para essas espécies de feijões descortinam a possibilidade de o Brasil dobrar as exportações para o país asiático, sendo que em 2025 o Brasil embarcou cerca de 300 mil toneladas do grão a um faturamento em torno de US$ 250 milhões.

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Abismo entre China e Índia

Com mais de 1,4 bilhão de habitantes, a Índia ultrapassou a China como o país mais populoso do mundo em 2023, mas segue longe de figurar entre os maiores parceiros do Brasil. Em 2025, o comércio bilateral entre as duas nações foi de US$ 15,2 bilhões, US$ 156 bilhões a menos do que o Brasil trocou com os chineses, seu principal societário na Ásia e no mundo.

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), André Rocha, acredita que existem muitas oportunidades inexploradas entre os dois países por conta da complementariedade das duas economias. “Podemos fazer, estreitar as parcerias em uma economia digital, na questão da segurança alimentar, na transição energética, tanto com os minerais quanto com os biocombustíveis; podemos [também] na área farmacêutica, na área de saúde”, enumera.

Parcerias aeronáuticas

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Outro assunto discutido no fórum foi o setor aeronáutico. A Embraer enxerga na Índia um mercado para expansão e parcerias tecnológicas, com oportunidades inclusive para o Combustível Sustentável de Aviação (SAF, na sigla em inglês).

“Os nossos aviões hoje já podem operar com até 50% de SAF em uma mistura e nós estamos trabalhando para certificar os nossos aviões antes 2030 para operar com 100% de SAF. Estamos atuando junto a potenciais fabricantes no Brasil e até fora para ajudar a promover o desenvolvimento e a produção do SAF”, ressalta o presidente da Embraer, Francisco Gomes Neto.

Nesta esfera, o presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Evandro Gucci, destaca o papel do etanol no futuro da aviação verde. “Mais de 70% dos voos são considerados de longa distância e para essas rotas, não tem alternativas que não sejam o combustível sustentável de aviação. Por isso que nós estamos falando de bilhões e bilhões de litros de SAF nos próximos anos, até 2050. E o etanol, com certeza, vai ser uma rota bastante relevante para contribuir nesse processo de redução de emissões.”

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