A logística no Arco Norte enfrenta um novo colapso. No porto de Miritituba, em Itaituba, no Pará, as filas de caminhões carregados com soja já chegam a cerca de 30 quilômetros para descarregar nos terminais portuários. O gargalo afeta diretamente produtores do Mato Grosso, pressiona o frete e preocupa o setor em pleno pico da colheita.
Em janeiro, Mato Grosso enviou para o mercado externo 487,63 mil toneladas de soja. O grão teve como destino 11 países. De acordo com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), deste volume 34% saíram pelos portos do Arco Norte. Já em 2025, das 32,06 milhões de toneladas de soja exportadas pelo estado, 49% saíram do país pelos portos do Arco Norte.
Paulo Roberto Almeida Ferreira, coordenador técnico da Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa), explica que o cenário observado nos últimos dias na região do Tapajós, na BR-163, é frequente. “São filas quilométricas com toda a produção proveniente de Mato Grosso, que descarrega aqui no Porto de Miritituba”.
O problema, salienta o coordenador da Faepa, não é operacional no local, mas sim de logística. Por dia, cerca de 2,5 mil caminhões com soja e milho descarregam no porto de Miritituba, conta ele à reportagem do Canal Rural Mato Grosso.
“Sabemos e temos a consciência que os portos possuem uma capacidade muito grande para trabalhar. O nosso problema é a logística. As condições das estradas muitas vezes não são favoráveis para escoar toda essa produção. Então, qualquer probleminha na estrada, um acidente, as filas ficam quilométricas. Chegam até a mais de 30 quilômetros por dia”.
No último dia 21 de fevereiro, a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) iniciou o Estradeiro da BR-163 — Do Campo ao Porto, expedição técnica até os portos de Miritituba e Santarém (PA). A caravana, a qual o Canal Rural Mato Grosso acompanha, saiu de Cuiabá e conta com a participação de aproximadamente 20 presidentes de sindicatos rurais.
Nesta segunda-feira (23) o grupo saiu da região do KM 30 e seguiu até o porto, em um trajeto de pouco mais de 30 quilômetros, onde constatou a situação de filas de caminhões carregados com soja mato-grossense.
“É um movimento muito grande, mas não atende às nossas demandas. Só Mato Grosso, no ano passado enviou para cá 17 milhões de toneladas. E você já vê o caos que está acontecendo aqui, nessa movimentação dessa logística que está estrangulada”, frisa o presidente da Famato, Vilmondes Tomain.
De acordo com ele, a estrutura da barcaça onde é realizado o descarregamento dos caminhões, o transbordo, é “de excelente qualidade, mas até você chegar aqui é uma dificuldade danada”.
“Tem caminhões que estão há mais de 30 horas na fila. É inadmissível num Brasil como o nosso ver esse caso dos nossos representantes com as riquezas desse país”, diz ao Canal Rural Mato Grosso.
Tomain afirma que um posicionamento será cobrado dos governantes estaduais e que a situação será levada tanto para os deputados estaduais, quanto federais. “Quer dizer, qual é a importância dessa riqueza para a economia de cada estado? Eles têm que ter compromisso com o trabalhador, com as pessoas que geram riqueza, com o produtor rural. O produtor rural gera riqueza para transformar isso em recurso para ele cada vez mais melhorar a estrutura do nosso estado”, completa.
Ainda conforme o presidente da Famato, “esse é um Brasil diferente. É um Brasil que transforma, um Brasil que gera muita riqueza. Só que nós temos que ter respeito com essas pessoas. Infelizmente não estou vendo respeito com as pessoas que estão trabalhando”.
O estradeiro, explica a Federação mato-grossense, tem o intuito de acompanhar, in loco, as condições logísticas da principal rota de escoamento da produção de grãos do estado, bem como reunir informações sobre os pontos críticos da rodovia federal no eixo norte, como trechos sem pavimentação, buracos, atoleiros e desbarrancamentos e qualidade da manutenção, que possam embasar propostas de melhoria em infraestrutura e segurança viária.
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