As chuvas intensas e frequentes registradas nos últimos dias em Mato Grosso têm prejudicado o andamento das operações agrícolas, com impactos diretos na colheita da soja. A sequência de dias chuvosos e a baixa incidência de radiação solar mantêm o solo com elevados níveis de umidade, reduzindo a janela operacional e limitando o tráfego de máquinas nas lavouras.
Em fevereiro, os acumulados de chuva já ultrapassam 200 milímetros no norte do estado. Em Sorriso, o volume alcançou 254,2 mm, enquanto em Cotriguaçu chegou a 318,4 mm, índices que se aproximam e, em alguns casos, já atingem a média histórica do mês, estimada entre 250 e 350 mm na região.
O
cenário preocupa pelos volumes elevados e, também, pela frequência e duração prolongada das precipitações ao longo do dia, diferentemente do padrão mais comum de pancadas isoladas concentradas no fim da tarde.
A maior nebulosidade também reduz a disponibilidade de radiação solar, o que pode afetar o potencial produtivo da soja. Além disso, áreas encharcadas atrasam a colheita, aumentam o risco de perdas na qualidade dos grãos e elevam a suscetibilidade ao desenvolvimento de doenças fúngicas, fator que pode resultar em descontos no momento da comercialização.
O cenário também pressiona o calendário de implantação da segunda safra, especialmente de milho e algodão, culturas que dependem de uma janela adequada para garantir bom desempenho.
De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a previsão indica continuidade das chuvas nos próximos dias, com volumes entre 70 e 150 mm. A tendência é de manutenção do excedente hídrico no solo, principalmente no extremo norte do estado, mantendo elevados os níveis de saturação até o fim da semana.
Mesmo com a expectativa de redução gradual dos volumes diários, os acumulados seguem suficientes para sustentar boas reservas de água no solo, sem indicação de déficit hídrico no curto prazo. Diante disso, a recomendação é de acompanhamento constante das atualizações meteorológicas e do monitoramento da umidade do solo para minimizar riscos e otimizar as operações no campo.
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