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Em que os nossos jovens estão pensando?


Há uma pergunta que Mato Grosso precisa fazer com mais frequência — não apenas nas escolas, universidades ou durante as campanhas eleitorais: em que os nossos jovens estão pensando? Não apenas em que profissão desejam seguir ou quanto pretendem ganhar, mas que vida desejam construir, que cidade imaginam para si e, sobretudo, se pretendem construir esse futuro aqui.

Mato Grosso vive uma circunstância aparentemente confortável. O Estado apresentou, em 2024, a menor taxa anual de desocupação do país, de 2,6%, e a maior taxa de ocupação entre as pessoas de 14 anos ou mais, de 68,4%. No primeiro semestre de 2025, foram criados mais de 32 mil empregos formais, muitos ocupados por jovens.

Mas emprego não é sinônimo de futuro. Pesquisa do British Council, realizada em 2025 com 3.248 jovens brasileiros de 16 a 35 anos, mostra que 70% sonham com o empreendedorismo. Entre os principais problemas no trabalho aparecem salários abaixo das expectativas, apontados por 66%, e jornadas longas, mencionadas por 56%. Entre as prioridades para o poder público estão mais oportunidades de emprego e estágio e uma educação mais prática, voltada ao trabalho.

O dado sugere algo importante: o jovem não está necessariamente recusando o trabalho; está procurando autonomia, sentido e possibilidade de construir uma vida própria. Mato Grosso precisa prestar atenção nisso.

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Temos uma economia que oferece oportunidades, mas precisamos perguntar se nossas cidades oferecem condições para que essas oportunidades se transformem em projetos de vida.

Um jovem pode encontrar emprego em Cuiabá, Sinop, Rondonópolis, Sorriso ou Lucas do Rio Verde e, ainda assim, partir porque não encontra universidade, cultura, esporte, lazer, segurança, transporte ou perspectivas profissionais compatíveis com suas ambições.

É nesse ponto que a discussão sobre juventude passa a ser também uma discussão sobre cidade. Cuiabá precisa compreender que disputar talentos será uma das grandes questões das próximas décadas.

Não basta formar bons profissionais se eles precisarem deixar a cidade para encontrar ambientes mais favoráveis. Uma capital que pretende ser centro de serviços, tecnologia, saúde, educação e negócios precisa também ser uma cidade na qual o jovem queira viver.

O empreendedorismo revela outra mudança. Segundo o Sebrae Mato Grosso, 32% dos empreendedores do Estado têm entre 18 e 34 anos — mais de 160 mil pessoas. É uma juventude que não deseja apenas procurar uma vaga; parte dela quer criar o próprio trabalho, a própria empresa e a própria fonte de renda.

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Isso deveria mudar nossa maneira de pensar políticas públicas. Precisamos aproximar escola, universidade, formação profissional, empresas e empreendedorismo. E precisamos reconhecer o jovem não como alguém que simplesmente deve ser conduzido, mas como alguém capaz de produzir, empreender, criar e participar das decisões sobre o lugar onde vive.

A educação continua sendo decisiva. O Ideb de Mato Grosso avançou no ensino fundamental em 2025, mas permaneceu estável no ensino médio, com índice 4,4. É justamente nessa passagem para a vida adulta que precisamos preparar melhor nossos jovens para trabalhar, empreender e fazer escolhas conscientes.

Há também uma dimensão cívica. Em 2026, o TRE-MT estimou que cerca de 157 mil mato-grossenses entre 15 e 17 anos não estavam inscritos na Justiça Eleitoral. Apenas aproximadamente 59 mil tinham título eleitoral. O dado não permite saber o que esses jovens pensam politicamente, mas mostra o tamanho do espaço existente para aproximá-los da vida pública.

Talvez devêssemos parar de perguntar por que os jovens não se interessam pela política e começar a perguntar o que estamos oferecendo a eles para que a política lhes pareça importante.

A mesma pergunta vale para a cidade. Se queremos que um jovem se interesse por Cuiabá, precisamos construir uma Cuiabá pela qual valha a pena se interessar. Se queremos que permaneça em Mato Grosso, precisamos oferecer não apenas trabalho, mas possibilidades.

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Mato Grosso passou décadas construindo sua força econômica. O próximo passo talvez seja menos visível, mas não menos decisivo: construir um ambiente em que as pessoas que nasceram aqui — e aquelas que escolheram vir para cá — desejem permanecer e realizar seus projetos.

Porque a maior riqueza de um Estado não está apenas naquilo que ele produz, mas na capacidade de formar pessoas capazes de produzir o futuro.

Antes de perguntar quanto Mato Grosso produzirá daqui a vinte anos, talvez devêssemos fazer uma pergunta mais simples: quando chegarmos lá, os nossos jovens ainda desejarão estar aqui?

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*RODRIGO ARRUDA E SÁ é contador, bacharel em Direito, empresário e ex-vereador de Cuiabá.

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