A Emater-MG, em parceria com o segmento exportador cafeeiro, tem ampliado o programa Construindo Solos Saudáveis, iniciativa que incentiva o uso de plantas de cobertura nas entrelinhas do café para melhorar a fertilidade do solo, reduzir a erosão e aumentar a produtividade das lavouras.
O projeto também atende à demanda do mercado internacional por práticas de agricultura regenerativa.
Em entrevista ao Planeta Campo, o coordenador estadual de Cafeicultura da Emater-MG, Bernardino Cangussu, a proposta surgiu da necessidade de recuperar áreas que, ao longo de décadas de manejo mecanizado, apresentaram compactação e menor infiltração de água.
“O café é uma cultura centenária em Minas Gerais e muitas lavouras foram trabalhadas por anos com pouco uso de plantas nas entrelinhas. Isso acabou comprometendo a infiltração de água e o desenvolvimento das raízes”, explica.
A estratégia adotada foi o plantio consorciado de plantas de cobertura — também chamadas de plantas de serviço — entre as linhas de café, prática já utilizada em outras culturas agrícolas.
“Nós chegamos a plantar até 13 espécies diferentes na entrelinha. Cada uma tem um sistema radicular diferente, capaz de buscar nutrientes em profundidades distintas”, afirma Cangussu.
Entre as espécies utilizadas estão braquiária, trigo-mourisco, girassol e nabo forrageiro. Segundo o coordenador, as raízes dessas plantas ajudam a descompactar o solo e a criar canais que facilitam a infiltração de água.
“As raízes criam canais no solo quando se decompõem, favorecendo a infiltração e a atividade biológica. A parte aérea forma uma camada de proteção que reduz a temperatura e a erosão”, diz.
Após a roçada, a palhada permanece sobre o solo, contribuindo para a manutenção da umidade e o aumento da matéria orgânica. Mediçōes realizadas nas áreas demonstrativas indicam que a cobertura vegetal pode reduzir a temperatura do solo em mais de dez graus, além de proteger mudas jovens contra a incidência direta do sol.
Outro efeito observado é o aumento da biodiversidade nas lavouras, com atração de insetos benéficos ao cultivo do café.
O programa começou em 2021 com cerca de 50 unidades demonstrativas em regiões cafeeiras de Minas Gerais. Atualmente, já alcança aproximadamente mil unidades.
“Iniciamos com testes em diferentes regiões para entender o comportamento da tecnologia. Depois dos dias de campo, os próprios produtores passaram a procurar a Emater para implantar em suas propriedades”, afirma Cangussu.
A expansão também foi impulsionada pelo interesse do setor exportador. Segundo o coordenador, traders e entidades ligadas ao comércio internacional passaram a investir nas unidades demonstrativas, alinhados à demanda global por produção sustentável.
“Existe uma procura mundial por café produzido com práticas regenerativas. Os exportadores querem um produto mais sustentável para atender seus clientes no exterior”, diz.
Além dos ganhos agronômicos, a adoção dessas práticas pode facilitar o acesso dos produtores a certificações ambientais, cada vez mais exigidas pelo mercado internacional.
“Produtores e exportadores interessados podem procurar a Emater. Já estamos com unidades instaladas e a intenção é dar continuidade ao programa nos próximos anos”, conclui.
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