A colheita de soja em Mato Grosso enfrenta dificuldades na safra 2025/26 devido ao excesso de chuvas registrado nas últimas semanas. O alerta é da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), que aponta impactos operacionais, riscos à qualidade dos grãos e reflexos financeiros para os produtores.
De acordo com o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária, até 6 de fevereiro, 39,61% da área prevista havia sido colhida no estado, avanço de 11,03 pontos percentuais em relação à semana anterior. Nos últimos quinze dias, os acumulados de chuva variaram entre 90 mm e 150 mm em diversas regiões produtoras, elevando a preocupação no campo.
O presidente da Aprosoja MT, Lucas Costa Beber, destaca que o volume elevado de precipitações compromete o andamento dos trabalhos. “O excesso de chuva prejudica as operações de colheita, dificulta o acesso das máquinas às áreas e pode causar perda de peso e qualidade do grão. Além disso, o plantio ocorreu em um período mais alongado, o que deve resultar em uma colheita mais tardia em algumas regiões, impactando também a janela ideal para o milho segunda safra”, afirma.
O diretor administrativo da entidade, Diego Bertuol, ressalta que os atrasos no plantio e, agora, na colheita, dificultam o cumprimento de contratos previamente firmados. Segundo ele, o cenário compromete o fluxo de caixa no início da safra, período estratégico para a organização financeira das propriedades, e aumenta a dificuldade para honrar compromissos financeiros.
Outro ponto de atenção é a maior pressão de pragas e doenças nas áreas de ciclo mais tardio, como percevejo, mosca-branca e ferrugem asiática, fatores que podem comprometer a produtividade, especialmente nas lavouras colhidas no fim da janela ideal.
No município de Vera, o produtor Sandro Mick relata que a situação exige decisões difíceis diariamente. Enquanto alguns produtores já colheram cerca de 80% da área, outros ainda mantêm aproximadamente metade da produção no campo e enfrentam dificuldades para avançar. Ele afirma que, desde o início da semana, as máquinas não conseguem entrar na lavoura em razão da umidade e que, quando o tempo firma, a colheita ocorre com grãos apresentando umidade próxima de 30%, o que também traz riscos de perdas.
O plantio do milho já alcançou mais de 28% da área prevista, índice superior ao registrado no mesmo período do ano passado, mas a tendência é de desaceleração nas próximas semanas caso o atraso na colheita da soja persista. As projeções climáticas indicam novos acumulados de chuva, o que pode limitar temporariamente o avanço das máquinas, estreitar a janela ideal da segunda safra e exigir ainda mais planejamento dos produtores para reduzir riscos e preservar o potencial produtivo das lavouras.
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