Considerada uma das principais pragas emergentes da cultura do milho, a cigarrinha Dalbulus maidis é responsável pela transmissão dos enfezamentos, os quais comprometem o desenvolvimento das plantas e reduzem significativamente o potencial produtivo da cultura. Entre os principais sintomas destacam-se a redução do porte (nanismo), o encurtamento de entrenós e o menor enchimento de grãos.
Estima-se que, em híbridos suscetíveis, as perdas de produtividade decorrentes dos enfezamentos possam alcançar até 70% (Sabato; Barros; Oliveira, 2016). No entanto, a quantificação precisa dos danos ainda apresenta elevada variabilidade, uma vez que se trata de uma praga de ocorrência relativamente recente, para a qual estudos mais aprofundados e regionalizados ainda são necessários.
Recentemente, um estudo realizado pela CNA, Embrapa e Epagri, buscou quantificar o impacto da cigarrinha-do-milho na produção da cultura. Os resultados obtidos de 34 municípios das principais regiões produtoras de milho do Brasil, demonstram que 79,4% das áreas analisadas apresentaram redução significativa da produtividade em função da incidência da praga.
Conforme destacado por Oliveira et al. (2026), as perdas estimadas associadas à presença de doenças que causam o nanismo no milho resultaram em uma perda média por safra de 22,7% na produção de milho do Brasil entre os anos-safra 2020/2021 e 2023/2024, variando de 16,71% (2023/2024) a 28,91% (2020/2021) (tabela 1).
Em termos gerais, essa perda média de produtividade (22,7%) representa aproximadamente 31,8 milhões de toneladas anualmente, resultando em uma perda financeira média anual estimada em 6,5 bilhões de dólares. Associado a isso, Oliveira et al. (2026) constataram que os custos de aplicação de inseticidas para o controle da cigarrinha-do-milho aumentaram 19% (2020/21–2023/24), ultrapassando 9 dólares por hectare.
Em síntese, a cigarrinha-do-milho tem causado perdas substanciais na cultura do milho, passando a ser considerada uma das principais se não a principal praga da cultura na atualidade. Vale destacar que além do elevado impacto produtivo, a praga apresenta ciclo de desenvolvimento extremamente curto, o que encurta o intervalo de reentrada para a aplicação de inseticidas, elevando os custos de controle.
Confira o estudo completo de Oliveira e colaboradores (2026) clicando aqui!
OLIVEIRA, C. M. et al. A DISEASE COMPLEX: CROP LOSSES AND ECONOMIC IMPACT OF CORN STUNT DISEASES ON BRAZILIAN CORN PRODUCTION. Crop Protection, 2026. Disponível em: < https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0261219426000153?dgcid=coauthor >, acesso em: 06/02/2026.
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