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Clima em 2026 pode trazer riscos agrícolas no Brasil e exige monitoramento, aponta StoneX


Divulgação Aprosoja MT

O cenário climático iniciou 2026 em meio a um regime de transição que aumenta a variabilidade do tempo e reduz a previsibilidade, especialmente no Hemisfério Sul. O La Niña fraca, instalada em outubro de 2025, deve perder intensidade ao longo do verão, com retorno à neutralidade do El Niño–Oscilação Sul (Enso) previsto para março. Esse contexto intermediário contribui para a alternância entre extremos localizados e períodos secos, observada no fim do ano passado.

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Segundo Carolina Giraldo, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, a ausência de um forçante climático dominante dificulta a leitura dos padrões atmosféricos. “Em anos de transição do ENSO, nenhum mecanismo de grande escala dita o comportamento do clima, o que aumenta a dependência de processos regionais e eventos pontuais”, explica.

A analista destaca que a Oscilação Madden–Julian (MJO) seguiu ativa na virada do ano, favorecendo volumes excepcionais de chuva no Sudeste Asiático e na Indonésia. No entanto, a configuração do sistema não estabeleceu teleconexões robustas com o sul da América do Sul em dezembro, deixando países como Argentina e Uruguai mais suscetíveis a sistemas sinóticos isolados.

No Brasil, a Amazônia registrou chuvas expressivas em novembro, permitindo uma recuperação hidrológica relevante após o déficit severo de 2024. “Isso evidencia a alta sensibilidade da bacia amazônica à distribuição intrassazonal das chuvas e seus reflexos diretos sobre logística e transporte”, afirmou Giraldo.

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As projeções multimodelo para o primeiro trimestre de 2026 apontam temperaturas acima da média em grande parte dos continentes. O aumento da evapotranspiração eleva a demanda hídrica das lavouras e exige atenção especial às temperaturas mínimas noturnas, que tendem a permanecer elevadas. Culturas como o café podem ter redução na eficiência do acúmulo de reservas, afetando as fases finais da frutificação.

Na América do Sul tropical e subtropical, o principal traço do período é a irregularidade das chuvas. Mesmo sem déficits expressivos nos acumulados trimestrais, a má distribuição temporal compromete o estabelecimento das lavouras de soja e milho, amplia a variabilidade de produtividade e reduz a assertividade das estimativas de oferta.

Dentro desse contexto, o Centro-Oeste brasileiro surge como a região de maior atenção. Há um sinal fraco, porém consistente, de maior probabilidade de precipitações abaixo da média no centro-norte de Mato Grosso, Goiás e Matopiba entre janeiro e março. O risco não é de uma seca instalada, mas de um regime irregular justamente no momento de encerramento da colheita da soja e início da implantação do milho safrinha.

Fevereiro

Fevereiro concentra o principal ponto de atenção. Déficits hídricos, mesmo temporários, podem comprometer a emergência e o desenvolvimento inicial do milho, enquanto temperaturas acima da média aumentam a exigência de água pelas plantas. Atrasos na semeadura elevam ainda o risco de a cultura avançar para o outono, período de menor radiação e disponibilidade térmica.

Apesar da ausência de sinais de um choque sistêmico de oferta, a analista avalia que o início de 2026 será marcado por riscos distribuídos. “A vantagem competitiva no agronegócio virá da capacidade de acompanhar de perto a distribuição das chuvas, ajustar manejos conforme os estágios fenológicos e ir além das médias históricas”, concluiu.

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