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Ex-nadador troca a rotina das piscinas pelo desafio do confinamento no campo


Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

A vida de Antoniel Olochove sempre foi marcada por treinos intensos, competições e a rotina do esporte de alto rendimento. Desde os oito anos, a natação ocupou o centro de seus dias, com participações em campeonatos brasileiros e até no mundial escolar, disputado no Marrocos. O futuro parecia traçado dentro das piscinas, até que a pandemia mudou os planos e abriu espaço para uma virada inesperada: o retorno para junto da família e o início da construção de um sonho no campo.

A mudança significou trocar o ritmo acelerado das competições por uma rotina bem diferente, entre silagem, manejo e confinamento de gado, na Chácara Confiança, em Tangará da Serra. “A mudança foi demais porque vivia num mundo completamente diferente, no meio do esporte e tudo mais, nadando”, conta. Ao chegar à propriedade da família, o contraste foi imediato. “Cheguei aqui e, tipo, querendo ou não o campo mais calmaria, não era tanto correria assim”.

O contato diário com os animais despertou uma nova vocação. “Gostei muito de começar a trabalhar aqui, ver o gado, trabalhar com animais e a vocação foi trabalhar com gado”, afirma Antoniel, que passou de ajudante dos pais a responsável direto pela atividade.

Localizada a menos de 15 quilômetros do centro de Tangará da Serra, a Chácara Confiança reúne áreas de silagem, confinamento e o cuidado visível nos detalhes. O verde do campo se mistura às flores cultivadas por Marilucia Olochove, mãe de Antoniel, refletindo o capricho de uma família que decidiu trocar a cidade pela vida rural.

A história da propriedade começou em 2014, quando a família deixou Sorriso e se mudou para Tangará da Serra. Marilucia lembra que trabalhava como feirante e que a mudança veio junto ao desejo do marido de investir em uma chácara. “Moramos em Sorriso sete anos e eu trabalhei em feira por aproximadamente três anos”, recorda em entrevista ao Canal Rural Mato Grosso. Segundo ela, ao surgir a oportunidade de transferência do esposo, a decisão foi clara: “Ele falou assim: ‘Ao invés de comprar uma casa, eu quero comprar um sítio, uma chácara’”.

A visita à área definiu o futuro da família. “A gente veio até essa propriedade aqui, é uma chácara muito gostosinha, bacana e a gente ficou por aqui mesmo”, relata.

Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Crescimento e profissionalização

O sonho de viver no campo também trouxe de volta outra vontade antiga: trabalhar com gado. A criação começou pequena, com poucos animais, e foi crescendo gradualmente. “Começamos com 10 cabeças e foi aumentando. Foi para 15, 20”, conta Marilucia. Com pouco pasto disponível, a família passou a tratar o gado no cocho e, mais tarde, adotou o semi-confinamento. “Quando vimos já tínhamos ali mais 50 cabeças. Aí começamos fazer um semi-confinamento”.

Com o retorno de Antoniel, a atividade ganhou novo ritmo e passou a ser pensada de forma mais estratégica. Ele percebeu que, apesar dos bons resultados, havia espaço para avançar. “O gado em semi-confinamento está bom, está engordando e tudo mais, mas gado confinado, ele acaba engordando um pouco mais”, explica, ao destacar a possibilidade de “uma lucratividade melhor”.

A decisão de investir veio mesmo sem estrutura. “Não tinha trator, não tinha misturador, então era trabalho braçal”, relembra. A rotina incluía cortar silagem, misturar com milho e tratar o gado manualmente.

Conforme Antoniel, a virada aconteceu com uma escolha da família. “Meu pai: ‘Bom, então a gente vende um pouco de gado, diminui, investe e compra um trator que vai ajudar muito’.” O resultado foi imediato. “Fez isso, dito e feito aumentou bastante”.

Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Técnica, metas e sucessão

O avanço da atividade se consolidou com a assistência técnica do Senar Mato Grosso, por meio da ATeG em Bovinocultura de Corte. A técnica de campo Janaína Rosolem dos Santos Lima explica que ajustes simples foram decisivos. “O primordial foram três: a idade dos animais, o planejamento alimentar e a ensilagem”, afirma.

Ela destaca que o sistema passou a trabalhar com dois lotes em menos tempo, garantindo maior ganho de peso. “Confinaram dois lotes, tiveram maior ganho de peso também, porque foi em menos tempo. Se você for fazer as contas, eles terminaram quase 33 animais por hectare/ano”, relata. Para Janaína, os resultados colocam a propriedade como referência. “Ao meu ver, é um exemplo de produtividade”.

Hoje, a Chácara Confiança trabalha com confinamento na seca, planejamento ao longo do ano e metas claras de crescimento. “Meu planejamento é chegar daqui uns dois anos e conseguir girar 800 cabeças por ano”, diz Antoniel ao Canal Rural Mato Grosso. Para isso, ele aposta em eficiência e conforto animal. “A gente colocou sombrite neles para ter o maior conforto. Um gado que não se estressa, ele tem o rendimento melhor”.

O desafio diário no campo lembra, para ele, a trajetória no esporte. “Vai batalhando todo dia, tem seus perrengues, tropica ali, mas consegue dar uma caminhada legal”.

Para Marilucia, mais do que os números, o retorno do filho fortaleceu a sucessão familiar. “A gente confia que Deus nos dá a prosperidade”, afirma. Ela destaca que, depois de anos distante, a presença do filho representa união. “O meu filho está aqui próximo da gente, está aqui em casa, a gente está vendo-o todo dia”.


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