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Danos da soja voluntária no milho safrinha – MAIS SOJA


Embora o manejo de planta daninhas seja voltado principalmente a espécies infestantes classificadas como não cultivadas, espécies comerciais como o milho e soja também podem desempenhar papel de planta daninha, desde que inseridas em ambientes indesejados. A exemplo, plantas voluntárias de soja (tiguera) inseridas na cultura do milho safrinha (milho segunda safra), assumem papel de plantas daninhas, matocompetindo com o milho por recursos como água, radiação solar e nutrientes do solo, reduzindo o potencial produtivo da lavoura.

Embora o milho seja considerada uma cultura de rápido crescimento e desenvolvimento, a presença de espécies daninhas no estabelecimento da lavoura pode resultar em perdas substanciais de produtividade, afetando significativamente o rendimento da cultura e lucratividade da cultura. Sobretudo, o impacto da soja tiguera no milho safrinha varia de acordo com a densidade populacional da soja e período de matocompetição.

Estudos demonstram que as perdas de produtividade no milho safrinha evoluem a medida em que há o incremento da densidade populacional da soja voluntária, chegando a resultar em perdas de produtividade de até 40% em casos mais severos, sob elevadas infestações de soja tiguera (Adegas; Gazziero; Voll, 2014). Corroborando o impacto da soja tiguera na produtividade do milho safrinha, Rizzardi (2020) demonstra que sob densidades populacionais de 32 plantas de soja/m², é possível observar a redução de produtividade do milho de até 22,8%, ao pondo em que, populações de apenas 4 plantas de soja/m², podem resultar em perdas de produtividade de até 14% no milho (figura 1).

Figura 1. Efeito de diferentes densidades de soja voluntária na redução da produtividade do milho.
Fonte: Rizzardi, apud. Farias (2019)
Quadro 1. Efeito de diferentes populações de soja sobre a produtividade do milho. Passo Fundo, RS.
Não significativo. * Médias seguidas de mesma letra minúscula na coluna não diferem entre si pelo teste Tukey (P> 0,05). (Rizzardi, M. A.; Koening, M. A.; Lange, M. S.; Costa, L. O. Nível de dano de soja resistente ao glifosato em milho RR. Congresso Brasileiro da Ciência das Plantas Daninhas, XXVII, Cd.Rom…setembro 2012, Campo Grande. MS.) Fonte: Rizzardi (2020)

Atrelado as perdas de produtividade associadas a presença da soja voluntária em lavouras de milho safrinha, há e necessidade da manutenção do vazio sanitário em algumas regiões de cultivo, o que torna indispensável a adoção de medidas de manejo que possibilitem o controle efeito da soja tiguera. No entanto, há certa dificuldade em controlar essa planta daninha em meio ao milho, especialmente por algumas cultivares de soja apresentarem tolerância genética aos herbicidas glifosato, 2,4-D, dicamba e glufosinato de amônio.

Dependendo da tolerância genética da cultivar, algumas alternativas de controle químico podem ser utilizadas na pré-semeadura do milho, a exemplo dos herbicidas dicamba, diquat, 2,4-D, flumioxazina, fluroxipir, glifosato, glufosinato de amônio e saflufenacil. Já na pós semeadura do milho, herbicidas seletivos como atrazina, 2,4-D, fluoxipir e tembotriona podem ser utilizados para o manejo e controle da soja voluntário (Rizzardi, 2020).



No entanto, para o adequado posicionamento desses herbicidas e a obtenção de um controle eficiente da soja voluntária, com mínima injúria à cultura do milho, é fundamental considerar a tolerância genética tanto da cultivar de soja quanto do híbrido de milho, bem como respeitar o intervalo recomendado entre a aplicação dos herbicidas e a semeadura do milho. Adicionalmente, deve-se atentar ao momento de controle na pós-emergência do milho, priorizando aplicações nos estádios iniciais de desenvolvimento da cultura (entre duas e três folhas), quando as plantas de soja voluntária ainda se encontram em estádios iniciais.

Além de reduzir a produtividade do milho safrinha, plantas voluntárias de soja podem servir como ponte verde para a sobrevivência de pragas e doenças, logo, controlar as plantas voluntárias de soja em meio ao milho safrinha é essencial, não só para reduzir os impactos na produtividade do milho, como também para a quebra do ciclo de pragas e doenças.

Referências:

ADEGAS, F. S.; GAZZIERO, D. L. P.; VOLL, E. INTERFERÊNCIA DA INFESTAÇÃO DE PLANTAS VOLUNTÁRIAS NO SISTEMA DE PRODUÇÃO COM A SUCESSÃO SOJA E MILHO SAFRINHA. Embrapa, 2014. Disponível em: < https://www.embrapa.br/en/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1002796/interferencia-da-infestacao-de-plantas-voluntarias-no-sistema-de-producao-com-a-sucessao-soja-e-milho-safrinha >, acesso em: 16/12/2025.

FARIA, A. CONTROLE DE MILHO E SOJA TIGUERA. II Seminário Mato-Grossense sobre Manejo da Resistencia. Cuiabá, jul. 2019. Disponível em: <https://b73f4c7b-d632-4353-826f-b62eca2c370a.filesusr.com/ugd/48f515_dba25b8d58fb48ffab6ca47c599bd0d5.pdf>, acesso em: 16/12/2025.

RIZZARDI, M. A. QUAIS OS DANOS DAS PLANTAS VOLUNTÁRIAS DE SOJA NA PRODUTIVIDADE DO MILHO? Up. Herb: Academia das Plantas Daninhas, 2020. Disponível em: < https://www.upherb.com.br/int/quais-os-danos-das-plantas-voluntarias-de-soja-na-produtividade-do-milho#:~:text=Trabalhos%20conduzidos%20por%20Rizzardi%20et,%2D2%20(Tabela%201). >, acesso em: 16/12/2025.

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