Soja em MT reage ao acordo dos Estados Unidos com a China

O recente acordo comercial entre Estados Unidos e China, que prevê a retomada de embarques agrícolas e redução de tarifas, trouxe otimismo momentâneo ao mercado de commodities. No entanto, a expectativa é que o impacto do acordo seja mais político do que econômico, sinalizando uma boa vontade diplomática, mas sem alterar o quadro fundamental de oferta e demanda da soja no cenário global.

A China deve importar cerca de 12 milhões de toneladas de soja americana em 2025, o que representa apenas um terço do volume registrado em 2020/21, quando as compras superaram 35 milhões de toneladas.

“O acordo demonstra mais um gesto de aproximação entre as potências do que uma mudança efetiva no fluxo comercial. A China segue priorizando a soja da América do Sul, especialmente a brasileira, por questões de competitividade e segurança de abastecimento”, explica Felipe Jordy, gerente de inteligência e estratégia da Biond Agro.

Soja sobe em Chicago, mas fundamentos seguem frágeis

Em outubro, a soja registrou uma das maiores altas em quatro anos na Bolsa de Chicago, com valorização superior a 10% no mês. O movimento, no entanto, foi impulsionado mais pela expectativa de mercado do que por mudanças concretas na oferta e demanda.

Os Estados Unidos possuem a expectativa de uma uma safra cheia, mas enfrentam lentidão nas exportações, enquanto o Brasil caminha para novo recorde, com produção estimada em 177 milhões de toneladas. Essa abundância mantém os estoques elevados e reduz os prêmios nos portos brasileiros, o que limita novas altas de preço.

“Esse ponto é crucial. A euforia momentânea em Chicago não nasce de fundamentos, nasce de manchetes. A oferta global permanece elevada e o estoque mundial de soja segue confortável, o Brasil vindo para o mercado com a potencial super safra em 25/26 o dará competitividade (+ oferta, – preço). A trégua, portanto, não muda o equilíbrio estrutural: apenas mascaram, por algumas semanas, o excesso de oferta e o descompasso entre preço e realidade”, analisa Felipe Jordy.

China compra menos, e janela americana segue curta

O pacto entre Washington e Pequim prevê a retomada das compras chinesas de produtos agrícolas, como soja e sorgo, e a redução de tarifas em ambas as direções. Ainda assim, as projeções apontam que a China deve importar cerca de 12 milhões de toneladas de soja americana em 2025, número inferior à média praticada dos últimos 5 anos de aproximadamente 28 milhões de toneladas.

“Essa diferença mostra que a janela de competitividade dos EUA segue restrita ao período de dezembro a fevereiro, antes da entrada da safra brasileira. A partir de março, o fluxo global volta a ser dominado pela América do Sul, reforçando o protagonismo brasileiro nas exportações”, comenta Jordy.

Gestão comercial e liquidez ganham importância

No mercado doméstico, o câmbio estabilizado em torno de R$ 5,35 já não compensa os prêmios enfraquecidos nem as oscilações de Chicago, mantendo o mercado físico travado. Atualmente, o Brasil comercializou cerca de 25% da safra, um atraso de 7 pontos percentuais em relação à média histórica para o mesmo período.

Diante desse cenário, a concentração de oferta nos próximos meses tende a pressionar a logística e os preços, reforçando a importância da gestão de liquidez.

“O momento exige uma cobertura mínima de 40% da produção, garantindo a proteção de custos e evitando exposição a eventuais quedas de preço ou gargalos logísticos. A estratégia deve priorizar margens e liquidez, combinando contratos futuros e barter de forma equilibrada”, finaliza.

agro.mt

Recent Posts

Colheita de café no Cerrado Mineiro chega a 66%, mas chuva atrasa ritmo

Foto: Cléverso Beje/Faep A colheita de café arábica na área de atuação da Cooperativa dos…

12 minutos ago

CCZ de Várzea Grande disponibiliza pets para adoção e reforça combate ao abandono

Unidade está com 11 animais disponíveis, realiza acompanhamento dos adotantes e alerta que abandono de…

16 minutos ago

Colheita do algodão segue atrasada ante a média dos últimos cinco anos em Mato Grosso

Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso A colheita do algodão em Mato Grosso alcançou 28,67%…

30 minutos ago

SOJA/CEPEA: Cotações recuam no fim de julho; médias são as maiores de 2026 – MAIS SOJA

Após fortes altas registradas ao longo de julho, os preços da soja voltaram a cair…

31 minutos ago

A cidade começa na calçada

Quando pensamos em desenvolvimento urbano, quase sempre imaginamos grandes avenidas, viadutos, pontes ou obras de…

52 minutos ago

Plantio de trigo no RS avança pouco com solo úmido após chuvas

O plantio de trigo no Rio Grande do Sul avançou pouco na semana passada por…

1 hora ago