O sistema de produção Trigo – Soja presente em diversos países como Argentina, Paraguai, Austrália, França, Alemanha, Ucrânia e Rússia, ocupa aproximadamente 3 milhões de hectares no Brasil, sendo predominante na região Sul (Paraná, Santa Catarina e Rio grande do Sul) que representa cerca de 90% da área total cultivada com esse sistema (Conab, 2025).
Na adoção desse sistema, a semeadura da soja está condicionada à colheita do trigo, que geralmente ocorre no mês de novembro. Isso provoca um atraso no plantio da soja, o que frequentemente resulta em reduções no seu potencial produtivo, em comparação com a soja semeada em épocas ideais. A Figura 1 apresenta uma comparação entre os potenciais de produtividade da soja cultivada no sistema trigo–soja e da soja cultivada como cultura única, semeada na melhor época. Observa-se que, quando o objetivo são produtividades superiores a 4 toneladas por hectare (t ha⁻¹) de soja, o sistema trigo–soja passa a apresentar limitações, especialmente em função do atraso na época de semeadura da soja.
Outro desafio recorrente nesse sistema está relacionado às elevadas precipitações durante o período de colheita do trigo, o que resulta em redução da qualidade dos grãos, aumento da incidência de doenças fúngicas e quedas na produtividade, seja por acamamento das plantas ou pela perda de grãos, que caem das espigas molhadas.
Nesse contexto, compreender o comportamento do Fenômeno El Niño–Oscilação Sul (ENOS) torna-se uma ferramenta estratégica para aumentar a eficiência do sistema trigo–soja, permitindo um melhor planejamento agrícola e manejo de riscos climáticos.
A Figura 2 evidencia que, historicamente, anos com ocorrência do fenômeno La Niña estão associados a safras de trigo com maior produtividade. Desde 1980, 75% dos eventos de La Niña resultaram em produtividades acima da média, tendência explicada pelas menores precipitações durante o inverno e na colheita, o que favorece maior disponibilidade de radiação solar no período crítico da cultura.
Além disso, em anos de La Niña, há uma redução no impacto negativo do atraso da semeadura da soja, em comparação aos anos de El Niño. Nestes, o excesso hídrico afeta negativamente o trigo e intensifica as perdas na soja, tanto pela diminuição da qualidade do solo quanto pela menor janela de desenvolvimento da cultura.
CONAB. COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO. Acompanhamento da Safra Brasileira de Grãos, Brasília: Companhia Nacional de Abastecimento, v. 12, safra 2024/25, n. 5, 2025.
WINCK, J.E.M et al. Ecofisiologia da soja visando altas produtividades. 3era Edição
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