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Educação no agro conecta sustentabilidade no campo e qualidade urbana


A sustentabilidade nas cidades começa, muitas vezes, na terra vermelha das lavouras. E, para que essa conexão entre campo e urbano aconteça de forma eficiente, a educação se consolida como um dos pilares estratégicos do agronegócio. Em Mato Grosso, a qualificação de profissionais — no campo e nos escritórios — tem sido essencial para garantir produtividade e equilíbrio ambiental.

Uma pesquisa recente do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), divulgada em 2024, reforça esse cenário. O estudo “Mão de Obra – Um desafio para os produtores rurais em Mato Grosso” ouviu 392 produtores de 94 municípios do estado e revelou que 50,51% deles têm a agricultura como principal atividade na propriedade, enquanto 35,46% atuam na pecuária e 14,03% nas duas atividades. Além disso, a pesquisa identificou que, diante da dificuldade em encontrar mão de obra local, 29,22% dos produtores contam com funcionários fixos provenientes de outros estados.

Os dados também apontam os principais profissionais demandados no setor, como operadores de máquinas (36,99%), vaqueiros (20,66%), profissionais de campo e serviços gerais (ambos com 10,71%), técnicos em agricultura de precisão (4,59%), cargos administrativos/financeiros, gerência e motoristas.

“É muito preocupante essa situação de falta de mão de obra qualificada e não qualificada para o agro”, alerta o produtor Valdir Ciomar Martini, que cultiva soja e milho em 800 hectares no município de Guiratinga. “Isso impacta e muito, inclusive, na sustentabilidade da vida urbana. Se o campo for mal, a cidade também vai mal”.

Um dos objetivos do Agro Club Tecnológico é a formação técnica a partir da demanda dos produtores rurais. Foto: Divulgação/Agro Club Tecnológico

Educação como motor de transformação

A ausência de qualificação atinge toda a cadeia produtiva. “O agro não é só máquina, não é só colheita, não é só plantio. O agro é indústria, o agro é balcão, o agro é escritório”, destaca Robson Marques, diretor administrativo-financeiro do Sistema Famato. “É a maior fonte de empregos do estado. E precisamos também estar com a preparação da juventude bastante afinada”.

A educação também tem papel central na sustentabilidade. “Um agro qualificado é um agro mais sustentável. Na parte social, ambiental e econômica”, pontua o empresário Tarcis Sachetti, que também está sempre em busca da própria qualificação. “É só ver Rondonópolis. O quanto Rondonópolis se desenvolveu com a chegada de grandes indústrias, com a chegada da própria ferrovia, que teve uma demanda de mão de obra especializada muito grande. O salto que o município deu, é um salto que se vê em poucas cidades aqui no estado”.

Com foco prático, o Agro Club Tecnológico criou o Agro Club School, projeto de formação técnica a partir da demanda dos próprios produtores. “Não adianta trazer um drone, se a pessoa que vai manusear não sabe sobre a tecnologia”, diz o CEO Durval Carneiro ao Canal Rural Mato Grosso. “A demanda vem do campo. A gente escuta o produtor.”

A iniciativa agora também deverá capacitar jovens que estão concluindo o ensino médio para atuar nos escritórios. “Hoje os escritórios das fazendas estão praticamente dentro da cidade. Rondonópolis é um exemplo. E, está uma deficiência muito grande de mão de obra. Vamos dar curso para atuação em escritório, identificar a aptidão dos alunos e depois comunicar o associado”, explica Durval. “É um projeto social. Sem custo para esses jovens”.

A Aprosoja Mato Grosso também aposta na formação desde cedo. “Temos o programa Futuro em Campo. Muitas crianças que não conheciam a área agrícola falam que no futuro querem trabalhar nela”, conta Lucas Costa Beber, presidente da entidade. “É uma maneira de mostrar o impacto positivo do agro na vida das pessoas”.

Com sede em Rondonópolis, o IBG Business School atua com MBAs, mestrados e programas de educação corporativa focados em gestão. Foto: Divulgação/IBG Business School

Formação contínua para o futuro do agro

Para Juarez Orsolin, professor e sócio proprietário do IBG Business School, em Rondonópolis, a qualificação também é estratégica dentro das empresas. “As pessoas valorizam aquela empresa que investe nele e valoriza ele”, afirma. “Esse trabalho de qualificação é um caminho sem volta. O pessoal está chegando às empresas com um nível de preparação muito aquém do que elas precisam”.

O IBG atua com MBAs, mestrados e programas de educação corporativa focados em gestão. “Temos um mestrado em sementes com alunos de 28 empresas e 17 cidades. Já concluímos mais de 60 turmas de MBA’s”, destaca Juarez ao Canal Rural Mato Grosso.

O Sistema Famato também amplia suas ações educacionais por meio do Senar Mato Grosso e do AgriHub. “Temos dado um foco especial na parte educacional, preparando essa juventude para o mercado de trabalho”, diz Robson Marques.

Seja no campo ou no escritório, a educação no agro contribui para decisões mais assertivas, evita gargalos e impulsiona o desenvolvimento sustentável. E, em polos como Rondonópolis, já transforma o presente — com impacto direto na vida urbana, segundo entidades e profissionais da educação.


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agro.mt

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