Terra indígena alvo de operação que investiga venda ilegal de ouro e pedras preciosas é líder nacional de alertas de garimpo

Terra Indígena Sararé, em Pontes e Lacerda (MT) lidera, em 2025, o ranking nacional de alertas de garimpo, com 1.814 detecções, segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Nesta terça-feira (12), a região foi alvo de uma ação da Polícia Federal que investiga suspeitos de movimentar R$ 200 milhões com a extração e venda ilegal de ouro e pedras preciosas.

Além de Pontes e Lacerda, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão em outros 11 municípios no Brasil. Na Operação Ita Yubá, os policiais apreenderam barras de ouro, dinheiro e veículos, e determinou o sequestro de apartamentos, casas e fazendas, além de duas aeronaves.

A Sararé é lar do povo Nambikwara e frequentemente alvo de conflitos entre garimpeiros e forças de segurança devido à exploração ilegal.

Em outra operação iniciada no dia 1º de agosto pelo Ibama, na Sararé, os fiscais apreenderam em uma casa 7 kg de mercúrio, metal usado para separar o ouro, que pode contaminar rios e solos. Além disso, operação, nomeada ‘Xapiri-Sararé’, resultou na destruição de diversos equipamentos usados na extração clandestina:

  • 63 escavadeiras
  • 8 caminhonetes
  • 10 caminhões
  • 66 motores
  • 17 motocicletas
  • 114 acampamentos

 

Ainda de acordo com o órgão, em propriedades rurais próximas, que serviam como pontos de apoio logístico ao garimpo, foram destruídos depósitos clandestinos de combustível e locais de manutenção de máquinas.

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Fiscais apreenderam em uma casa 7 kg de mercúrio, metal usado para separar o ouro. — Foto: Reprodução

Avanço e impactos do garimpo

Conforme divulgado pelo Ibama, o aumento da atividade ilegal está ligado à migração de garimpeiros após operações federais em outras regiões e à facilidade de acesso ao território. Já foram desmatados 743 hectares de vegetação nativa.

O garimpo ilegal causa impactos ambientais e sociais graves, como:

  • Poluição: contaminação de rios e igarapés com mercúrio e óleo, além do assoreamento
  • Desmatamento: perda de vegetação nativa e destruição de habitats
  • Ameaça cultural: prejuízos ao modo de vida tradicional do povo Nambikwara
  • Expansão do crime organizado: fortalecimento de grupos criminosos na região

 

O Ibama afirma que continuará as ações de fiscalização por tempo indeterminado, cumprindo determinação judicial para conter o garimpo e proteger a Terra Indígena Sararé.

TI com maiores ocorrências de garimpo no Brasil

 

Garimpo ilegal avança na Terra Indígena Sararé em Mato Grosso. — Foto: Fábio Bispo/Greenpeace

Nos últimos anos, a Terra Indígena Sararé tem sido alvo de uma intensificação das atividades garimpeiras, que ameaçam não apenas a integridade do meio ambiente, mas também a saúde e os modos de vida das comunidades indígenas locais.

Com uma área de 67 mil hectares e habitada por grupos indígenas da etnia Nambiquara, a TI Sararé está entre as mais afetadas pelo garimpo ilegal no Brasil, segundo o Ibama. Estima-se que aproximadamente 2 mil hectares tenham sido devastados pela exploração ilegal de ouro, impulsionada por organizações criminosas armadas que atuam na região.

Desde 2023, o Ibama vem intensificando as ações de repressão à atividade ilegal. Mais de 300 escavadeiras utilizadas no garimpo foram apreendidas e destruídas, além de motores e outros equipamentos

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