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Safra de café em MG deve ser menor; especialista da Emater orienta planejamento

A colheita do café avança em todo o Brasil e já se aproxima da reta final, com os trabalhos em campo atingindo 94% da área estimada para esta safra, segundo levantamento da consultoria Safras & Mercado, divulgado nesta sexta-feira (8). O ritmo desacelerou nos últimos dias, mas é um movimento comum na reta final dos trabalhos.

No entanto, em Minas Gerais, maior estado produtor do país, a safra de 2025 deve ser menor que a do ano passado. O recuo é atribuído à bienalidade negativa e às condições climáticas adversas, como períodos de seca durante fases importantes do ciclo da cultura.

De acordo com o mais recente levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Minas deve colher cerca de 26,1 milhões de sacas, o que representa uma redução de 7,1% frente à temporada de 2024. Apesar das perdas previstas, a colheita do arábica tem avançado bem nas principais regiões do estado. 

Em entrevista ao Mercado & Companhia, o coordenador técnico Emater-MG, Willem de Araújo, explicou que além da seca, chuvas recentes em algumas áreas têm dificultado a secagem dos grãos nesta fase final da colheita. “O produtor está com pressa agora. Os preços estão em alta e ele já começa a pensar na próxima safra. Isso acelera o ritmo da colheita em algumas regiões”.

Segundo o especialista, a colheita já foi praticamente encerrada no Sul de Minas e no Cerrado, restando áreas de montanha, onde a maturação é mais lenta. Ainda assim, a definição dos números finais da safra pode demorar. 

“Muitos produtores ainda não estocaram nem entregaram todo o café às cooperativas. Além disso, há relatos de que estão sendo necessários de 10% a 15% mais grãos para formar uma saca beneficiada. Isso indica que a produção final pode ser ainda menor que os 26 milhões de sacas inicialmente previstos”, afirma.

Qualidade melhor, mas com ressalvas

Sobre a qualidade das plantas, Araújo afirma que as lavouras irrigadas e situadas em áreas mais altas estão com melhor condição fitossanitária. “Essas áreas produziram menos, o que ajuda na recuperação. Em geral, a situação está melhor que no ano passado, quando tivemos um inverno mais quente e plantas desajustadas. Mas aquelas que produziram muito este ano dificilmente vão se recuperar a tempo para a próxima safra.”

Orientações da Emater

Diante do cenário desafiador, a Emater recomenda atenção ao manejo e planejamento antecipado. “Agora é a hora do produtor fazer as podas, escolhendo a técnica mais adequada para cada área. Os preços do café estão em níveis remuneradores, então o momento é favorável para já adquirir insumos com melhores condições”, orienta.

Além disso, ele destaca a importância do investimento em sistemas de irrigação mais eficientes, especialmente nas regiões mais secas, como forma de garantir produtividade com qualidade e menor custo.

Mercado de olho no tarifaço

No mercado, os olhares se voltam para o cenário internacional. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), agentes do setor ainda acreditam que a tarifa adicional de 50% sobre as exportações brasileiras de café para os Estados Unidos pode ser revertida. 

A pressão vem de grandes empresas norte-americanas que dependem do café brasileiro para a composição de seus blends industriais. O Brasil é responsável por cerca de 25% do café importado pelo mercado norte-americano e é o principal fornecedor da variedade arábica, base da indústria local de torrefação.

De acordo com o coordenador técnico, o cenário é incerto. “Ainda estamos aguardando uma definição. Isso pode afetar o volume exportado e deve influenciar a tomada de decisão dos produtores nos próximos meses”, conclui.

agro.mt

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