Em complemento ao anúncio do montante destinado à agricultura familiar, realizado na última segunda – feira 30 de junho, o governo anunciou logo no dia seguinte os valores disponíveis para os médios e grandes produtores. Seguindo o mesmo modelo que reuniu autoridades no Palácio do Planalto, essa versão do plano contempla operações de custeio, comercialização e investimento. As condições variam de acordo com o perfil do beneficiário e do programa acessado. No evento, foram anunciados R$ 516,2 bilhões para o novo ciclo. O valor é recorde e representa um aumento de 1,5% em relação à temporada anterior, quando foram disponibilizados R$ 508 bilhões.
Do montante total, R$ 414,7 bilhões serão disponibilizados para custeio e comercialização, um crescimento de 3,34% em relação à edição anterior. Já para as linhas de investimento, serão destinados R$ 101,5 bilhões, uma queda de 5,4%. Neste ciclo, o governo elevou as taxas de juros entre 1,5 e 2 pontos porcentuais, dependendo da linha de financiamento. No plano passado, os juros oscilavam entre 7% e 12% e agora serão de 8,5% a 14%.
A fatia de recursos equalizados — com subvenção direta do Tesouro Nacional para pagar a diferença nos juros — vai crescer de R$ 92,8 bilhões para R$ 113,78 bilhões. Somados aos controlados sem equalização, são R$ 189 bilhões para médios e grandes produtores. O governo não anunciará neste ano um orçamento para o seguro rural, repetindo o que ocorreu no ano passado. Em 2025, houve o contingenciamento de R$ 445 milhões nessa rubrica. Segundo o Ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, em entrevista à Globo Rural, há “muita probabilidade” de que esse montante seja liberado até o final do ano.
O “esquecimento” do seguro rural foi justamente um dos pontos abordados pelo presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Pedro Lupion (PP-PR), em coletiva na sede da entidade, logo após a conclusão do anúncio pelo governo. Avaliando o conjunto do pacote apresentado nos dois dias, Lupion afirmou que o valor anunciado de R$ 516,2 bilhões para a agricultura empresarial contém distorções e omissões que comprometem a transparência do programa e impõem custos sem precedentes ao setor produtivo. De acordo com o deputado, no ano passado o governo havia prometido R$ 138 bilhões em recursos com juros controlados, mas contingenciamentos reduziram a execução a R$ 92,8 bilhões. Neste ano, o governo anunciou R$ 113,8 bilhões nessa mesma categoria, o que representa aumento frente ao que foi efetivamente executado, mas queda em relação ao valor prometido no ano anterior.
“O governo anuncia um plano de R$ 516 bilhões, mas só tem controle real sobre 22% disso. O restante é dinheiro dos bancos, a juros de mercado, muitas vezes acima de 2% ao mês. Não se pode vender isso como apoio estatal ao agro. A taxa Selic subiu para 15% porque o governo perdeu o controle dos gastos. É o Banco Central que segura a inflação, porque o Executivo não segura a despesa. O resultado é crédito caro, produção pressionada e comida mais cara para o consumidor”, resumiu Pedro Lupion.
Mas o presidente da FPA também reconheceu aspectos positivos do anúncio, como o discurso do ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, que destacou a importância estratégica do agro e demonstrou sensibilidade com o Rio Grande do Sul. Ele também elogiou o aumento do teto do PRONAMP (Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor), de R$ 3 milhões para R$ 3,5 milhões, e a elevação do limite do PCA (Programa para Construção e Ampliação de Armazéns) para 12 mil toneladas.
Representando a iniciativa privada do Conselho Deliberativo da Política do Café (CDPC) marcaram presença no evento de lançamento do Plano Safra o presidente do Conselho Nacional do Café (CNC) e membro da Academia Nacional de Agricultura da SNA, Silas Brasileiro; e o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), Pavel Cardoso. Durante a cerimônia o Ministro Fávaro ressaltou que além dos recursos disponibilizados pelo Plano Safra, a cafeicultura ainda terá R$ 7,18 bilhões de reais oferecidos pelo Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé).
Silas elogiou o trabalho de toda a equipe do MAPA no processo de planejamento e execução do Plano Safra 2025/2026, e manifestou otimismo com o estímulo anunciado para o setor, que vem atravessando anos difíceis, com quebras de safras, oscilações climáticas e elevação de preços do produto no mercado. Segundo ele, o trabalho conjunto de produtores, autoridades e entidades de representação permite projetar um cenário de melhora daqui para frente, agora que o mercado também apresenta ritmo mais regular.
“Entendemos os inúmeros desafios enfrentados diante do atual cenário econômico, mas com responsabilidade, organização e espírito público, mais uma vez foi possível entregar um Plano Safra robusto, abrangente e histórico para a agropecuária brasileira. As providências adotadas com competência pelo Departamento do Café do MAPA estão viabilizando o rápido credenciamento de praticamente todos os agentes financeiros para operarem com os recursos do Funcafé, tão logo seja publicado o voto do CMN definindo as taxas de juros do Fundo”, completou Silas Brasileiro.
Autor/Fonte: disponível no Portal da SNA
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