O preço do milho pode sofrer nova pressão com o conflito no Oriente Médio. Isso porque o Irã foi o terceiro maior comprador do cereal mato-grossense em 2024. Diante desse cenário e da expectativa de mais uma safra robusta no estado, especialistas alertam que os produtores devem estar atentos aos impactos geopolíticos, que também podem influenciar nos custos da próxima temporada de soja.
Em 2024, Mato Grosso enviou para o Irã 2,4 milhões de toneladas de milho, conforme dados da Secretária de Comércio Exterior (Secex).
Já em 2025, das 2,15 milhões de toneladas de milho exportadas, 487,2 mil toneladas tiveram o país do Oriente Médio como destino, ficando atrás do Egito, que lidera os embarques do estado com 587,3 mil toneladas.
A tensão entre Irã e Israel se soma a outros conflitos em andamento, como a guerra entre Rússia e Ucrânia, países que juntos, são grandes fornecedores de fertilizantes e petróleo.
“O Irã acaba sendo um participante interessante nas nossas exportações. Não vai ser o principal, algo que vai impactar, que vai fazer o preço despencar talvez, mas, vai ser outra pressão para esse preço que já tem caído. Então, realmente, é uma preocupação em relação aos preços”, analisa o coordenador de Inteligência de Mercado do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), Rodrigo Silva.
O reflexo das disputas entre os países do Oriente Médio vai além das exportações, segundo o especialista, e pode pesar no bolso do produtor mato-grossense que já vem lidando com margens pressionadas.
Dentro da porteira, destaca Rodrigo ao projeto Mais Milho, do Canal Rural Mato Grosso, o impacto deverá ser no custo das operações mecanizadas com uma possível escalada de preço no barril do petróleo, uma vez que o preço do óleo diesel já vem aumentando. Já da porteira para fora, o impacto também é ligado ao combustível, uma vez que ele é o componente do frete de maior peso.
Para a safra 2025/26, a aquisição dos insumos caminha com cautela. O cenário global e brasileiro incerto faz com que muitos produtores reavaliem os investimentos.
Dentro e fora do campo, o produtor, salienta o especialista do Imea, terá que que seguir atento, uma vez que as decisões tomadas agora, podem definir os resultados da próxima safra.
Conforme Rodrigo, no que tange a próxima safra de soja, cujo plantio inicia em setembro, 60% dos insumos já foram adquiridos pelos produtores de Mato Grosso.
“Quando olhamos esses 60% de insumos comprados para a safra que vem de soja, a gente está atrasado com relação aos últimos anos. Nesse mesmo período, na média dos últimos cinco anos, estamos atrasados em 15 pontos percentuais. Isso indica que o produtor está segurando. Temos essa questão dos fertilizantes. O que vai impactar potencialmente é essa região produtora de nitrogenados com preços aumentando um pouco. Se esse conflito tomar o corpo que o ucraniano e russo tomou, talvez a gente veja uma outra escalada nos fertilizantes, principalmente nitrogenados”.
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